O Tesouro Nacional informou nesta quinta-feira (30) um déficit de R$ 73,7 bilhões nas contas do governo federal em março. O resultado representa o pior desempenho para o mês em quase três décadas de série histórica. No mesmo período de 2025, havia sido registrado um superávit de R$ 1,5 bilhão. No acumulado do primeiro trimestre, as contas também ficaram no vermelho. Entre janeiro e março, o déficit somou R$ 17,1 bilhões. Já no mesmo intervalo do ano passado, o governo central apresentava um saldo positivo de R$ 55 bilhões.
Os números refletem o desempenho conjunto do Tesouro Nacional e do Banco Central, que registraram déficit de R$ 24,6 bilhões. A Previdência Social ampliou o resultado negativo, com rombo de R$ 49,2 bilhões. Segundo o governo, a concentração de pagamentos de dívidas teve peso relevante nas contas de março.
Os precatórios totalizaram R$ 34,9 bilhões no mês. Esses valores são destinados ao pagamento de decisões judiciais definitivas. Em 2025, esses desembolsos ocorreram majoritariamente em julho, mas, em 2026, o calendário antecipou essas despesas para os primeiros meses do ano.
As sentenças judiciais também elevaram os gastos com pessoal e benefícios previdenciários, adicionando R$ 39,9 bilhões extras nessas áreas. A meta fiscal do governo para 2026 é alcançar um superávit equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), o que exige um resultado positivo de ao menos R$ 36,6 bilhões.
O Tesouro reconhece que o atual cronograma de pagamentos aumenta a pressão sobre o cumprimento das regras fiscais. Diante desse cenário, o governo dependerá de uma arrecadação elevada nos próximos meses para tentar reverter o déficit. Enquanto isso, o mercado acompanha com cautela a capacidade da gestão federal de equilibrar receitas e despesas.
Leandro Soares
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