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Gastos do Judiciário Brasileiro crescem 15,8% e chegam a R$ 181,5 bilhões

Despesas com pessoal seguem predominantes e concentram maior parte dos recursos do sistema.

Dados do relatório de despesas do governo geral, divulgado pelo Tesouro Nacional em dezembro de 2025, apontam que os gastos do Judiciário tiveram alta de 15,8% entre 2023 e 2024, alcançando R$ 181,5 bilhões. O valor equivale a 1,55% do Produto Interno Bruto (PIB) e representa 3,88% de tudo o que foi gasto pela União, estados e municípios no período.

Segundo a Folha de S.Paulo, responsável por divulgar os números, o Tesouro utilizou informações de 2024 para analisar o cenário interno, enquanto, na comparação com outros países, recorreu a dados de 2023. De acordo com o órgão, ao menos 56 países apresentaram seus dados com atraso. Por isso, o levantamento não contempla nações como Estados Unidos, China e Rússia, além de reunir poucas informações de países da América do Sul, com exceção da Colômbia.

Foto: Carlos Humberto/SCO/STFEstátua da Justiça na sede do STF
Estátua da Justiça na sede do STF

Para organizar os números, o Tesouro adotou a Classificação de Funções do Governo, modelo utilizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para categorizar despesas públicas. Dentro dessa metodologia, entram tribunais estaduais, regionais e superiores, além das Justiças Eleitoral, Militar e do Trabalho, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), todos incluídos na função “ordem e segurança pública”.

O critério, porém, não segue exatamente a estrutura institucional do país. Com isso, também considera órgãos que não fazem parte do Judiciário, como o Ministério Público, a Defensoria Pública da União e a Advocacia-Geral da União.

Em 2021, o Brasil liderou o ranking global de gastos com o sistema de Justiça, ao destinar 1,6% do PIB à área. Nos dois anos seguintes, passou a ocupar a segunda colocação, atrás de El Salvador. Nesse intervalo, os investimentos corresponderam a 1,33% do PIB em 2022 e 1,43% em 2023.

Já em 2024, as despesas com pessoal seguiram como o principal componente dos gastos. As folhas salariais concentraram 77,9% do total, enquanto benefícios previdenciários e assistenciais representaram 1,7%. Juntas, essas despesas somaram R$ 144,3 bilhões.

Um levantamento da Plataforma Justa analisou 94% dos orçamentos estaduais destinados a tribunais, defensorias públicas e Ministérios Públicos, que, no total, chegaram a R$ 93,2 bilhões. Desse valor, 67% foram direcionados ao pagamento de servidores.

O estudo também identificou a utilização de créditos adicionais para custear despesas com pessoal e indicou que R$ 4,7 bilhões foram destinados às folhas de pagamento fora da previsão inicial.

Estados como Pará e Santa Catarina registraram participação expressiva desses créditos. Em ambos os casos, cerca de um terço dos gastos com pessoal foi financiado por esse tipo de recurso.

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