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Presidente Lula diz temer ação de Trump e que “qualquer um” pode invadir o Brasil

A declaração foi dada durante evento realizado no Espírito Santo, nessa quinta-feira (21).

O presidente Lula (PT) afirmou nessa quinta-feira (21) que teme uma possível investida do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Amazônia e também sobre áreas estratégicas de exploração de petróleo na chamada Margem Equatorial, localizada na bacia da foz do Rio Amazonas.

A declaração foi dada durante evento realizado no Espírito Santo, quando o petista demonstrou preocupação com a vulnerabilidade das fronteiras brasileiras e defendeu maior atenção à proteção territorial do país.

Foto: Tomaz Silva/Agência BrasilPresidente Lula
Presidente Lula

Ao comentar declarações recentes de Trump envolvendo territórios estrangeiros, Lula afirmou que o cenário exige vigilância. “Depois que o Trump disse que a Groenlândia é dele, que o Canadá é dele, que o Canal do Panamá é dele, quem afirma que ele não vai dizer que a Amazônia é dele?”, questionou o presidente.

A preocupação do governo ocorre em meio à possibilidade de os Estados Unidos classificarem facções criminosas brasileiras, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), como organizações terroristas.

Nos bastidores do Palácio do Planalto, a avaliação é de que essa mudança poderia abrir brechas jurídicas para ações diretas em território brasileiro, gerando tensão diplomática e preocupações sobre soberania nacional.

Apesar disso, Lula afirmou que o tema não foi tratado em seu encontro mais recente com Trump, realizado no início deste mês. Ainda assim, o governo acompanha o assunto com cautela devido aos possíveis impactos estratégicos na relação entre Brasília e Washington.

Pressão por investimentos militares

O debate ocorre paralelamente à pressão do Ministério da Defesa por ampliação de investimentos nas Forças Armadas.

Em março, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, apresentou ao presidente um plano de R$ 800 bilhões para execução ao longo de 15 anos, com foco no fortalecimento da capacidade militar brasileira.

Segundo Múcio, o Brasil atualmente investe cerca de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em defesa, percentual inferior à média internacional de aproximadamente 2% praticada por diversos países.

O ministro criticou o atual modelo orçamentário e afirmou que o setor militar tem recebido apenas recursos residuais, comprometendo projetos considerados estratégicos.

Entre as prioridades do plano estão investimentos na Marinha e na Aeronáutica, considerados os segmentos de maior custo devido à necessidade de aquisição de submarinos e aeronaves militares. O Exército também está contemplado na proposta apresentada ao governo federal.

Para Múcio, o fortalecimento da estrutura militar é indispensável para garantir a proteção territorial e a soberania brasileira diante de desafios geopolíticos crescentes.

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