O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, afirmou nesta quarta-feira (27) que o governo brasileiro ainda aguarda uma resposta oficial dos Estados Unidos sobre o pedido de extradição do ex-deputado Alexandre Ramagem. A declaração foi dada durante audiência na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados. Segundo o ministro, o pedido foi formalizado pelas autoridades brasileiras, mas segue sem retorno do governo norte-americano.
Alexandre Ramagem foi preso em abril deste ano na cidade de Orlando pelo serviço de imigração dos Estados Unidos, o ICE, mas acabou liberado dias depois porque possuía um pedido de asilo político pendente de análise. Conforme o ministro, a detenção não ocorreu em razão do pedido de extradição apresentado pelo Brasil, mas por implicações relacionadas à legislação migratória norte-americana, após a identificação de que o ex-parlamentar estava com o visto vencido.
Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão por suposto envolvimento na alegada tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Ele é considerado foragido desde novembro do ano passado. Durante a audiência, Wellington Lima e Silva declarou que a atuação da Polícia Federal brasileira ficou restrita ao compartilhamento de informações públicas e ao envio de documentos oficiais, incluindo o mandado de prisão expedido pelo STF.
De acordo com o ministro, todos os procedimentos operacionais relacionados à prisão de Ramagem foram executados exclusivamente pelas autoridades norte-americanas. Ele citou um ofício da própria Polícia Federal para afirmar que não houve participação de integrantes da corporação brasileira em ações operacionais ou decisões relacionadas à abordagem, custódia ou eventual deportação do ex-deputado.
Ainda durante a audiência, Wellington Lima e Silva comentou o caso do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, retirado dos Estados Unidos após suspeitas de tentativa de interferência no processo de extradição. O ministro afirmou que o retorno do agente ocorreu por determinação da direção-geral da Polícia Federal para apuração interna dos fatos e disse que não houve comunicação oficial sobre investigação administrativa contra o delegado. Após a retirada do policial brasileiro, o governo brasileiro aplicou o princípio da reciprocidade e interrompeu as atividades de um agente norte-americano que atuava em território nacional.
Davi Fernandes
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