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Flávio Bolsonaro envia carta ao secretário Marco Rubio para tentar barrar tarifaço dos EUA contra o Brasil

O posicionamento do parlamentar ocorre após um relatório do USTR recomendar sobretaxa de 25%.

O senador e pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio BolsonaroFlávio Bolsonaro, enviou nesta terça-feira (2) uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pedindo que o governo norte-americano não avance com a aplicação de novas tarifas de importação sobre produtos brasileiros.

O posicionamento do parlamentar ocorre após um relatório do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) recomendar a adoção de uma sobretaxa de 25% sobre exportações do Brasil. A medida foi sugerida no contexto de uma investigação aberta em 2025 sobre práticas comerciais consideradas desleais pelo governo norte-americano.

Foto: Reprodução/InstagramSenador Flávio Bolsonaro em encontro com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio
Senador Flávio Bolsonaro em encontro com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio

Na carta, Flávio Bolsonaro afirma que o Brasil enfrenta um cenário de “grave deterioração fiscal e econômica” e usa indicadores econômicos para sustentar o pedido de revisão da medida. Entre os dados citados, ele destaca que a dívida pública bruta do país ultrapassou 80% do PIB, alcançando cerca de R$ 10,4 trilhões. O senador também menciona que 81,7 milhões de brasileiros estariam inadimplentes e que o número de empresas em recuperação judicial chegou a 2.466 em 2025, o maior já registrado.

Segundo o parlamentar, a adoção de um novo tarifaço atingiria diretamente a população brasileira. Em sua avaliação, os impactos recairiam sobre cidadãos que enxergam os Estados Unidos como um parceiro estratégico. Ele também afirma ter reforçado anteriormente o pedido para que Washington não avance com a taxação.

No documento, o senador ainda sinaliza disposição para uma eventual aproximação comercial caso seja eleito presidente. Ele declarou estar confiante em uma vitória nas próximas eleições e afirmou que, em um cenário de governo, sua equipe de transição estaria pronta para dialogar com autoridades norte-americanas com o objetivo de construir um amplo acordo de comércio e investimentos entre os dois países.

Outro ponto abordado na carta foi o agradecimento ao governo dos EUA pela recente designação de facções criminosas brasileiras, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), como organizações terroristas. Segundo o senador, a medida foi bem recebida por parte da população brasileira.

A recomendação do USTR inclui ainda exceções para determinados produtos, como carne bovina e café, mas prevê que eventuais medidas corretivas podem ser implementadas até 15 de julho de 2026. Entre as justificativas apontadas pelo órgão norte-americano estão decisões do Judiciário brasileiro envolvendo plataformas digitais, o uso do Pix, questões relacionadas ao combate à pirataria e restrições ao mercado de etanol.

Confira abaixo a carta na íntegra:

"Prezado Secretário Rubio,

Escrevo primeiramente para agradecer a cordialidade com que fui recebido durante minha recente visita a Washington. Nossa conversa reafirmou minha convicção de que a amizade entre nossas duas nações repousa sobre valores compartilhados e uma visão comum para a segurança e prosperidade do Hemisfério Ocidental.

Sou especialmente grato por sua decisão de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. Essas duas facções estão entre as empresas criminosas mais violentas do Brasil, e suas redes de drogas, armas e dinheiro alcançam muito além de nossas fronteiras — chegando ao seu país também.

A esmagadora maioria do povo brasileiro celebrou esta medida, mesmo que ela não tenha agradado ao nosso atual governo. É um passo decisivo para proteger os cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado.

Escrevo também, contudo, com preocupação em relação à recente determinação da Seção 301 anunciada pelo Representante Comercial dos Estados Unidos.

Embora eu entenda que nenhuma tarifa tenha sido imposta ainda — a determinação abre um processo de consulta pública e etapas técnicas que levam a um prazo legal em julho — acredito ser meu dever compartilhar com o senhor as reais condições econômicas que o povo brasileiro enfrenta neste momento.

O Brasil vive uma grave deterioração fiscal e econômica. Nossa dívida pública bruta geral ultrapassou agora 80% do PIB pela primeira vez desde a pandemia, atingindo R$ 10,4 trilhões em abril — e as projeções de mercado a situam em um recorde de 83,7% até o fim do ano.

As contas públicas continuam a apresentar déficit primário, enquanto os pagamentos de juros da dívida subiram para níveis recordes. O fardo sobre as famílias comuns é ainda mais alarmante: um recorde de 81,7 milhões de brasileiros estão agora inadimplentes — quase metade da população adulta — com compromissos de dívida consumindo uma parcela sem precedentes da renda familiar.

Do lado empresarial, as recuperações judiciais dispararam para um recorde histórico de 2.466 empresas em 2025, enquanto 8,7 milhões de contribuintes empresariais estavam inadimplentes no início de 2026. Cada um desses números é um recorde histórico.

Diante desse cenário, a imposição de novas tarifas infligiria sérios danos ao povo brasileiro — os mesmos cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e um amigo. Portanto, escrevo para reiterar, formalmente, o pedido que fiz pessoalmente ao senhor: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil.

Como eu disse, estou confiante de que serei eleito Presidente do Brasil em outubro deste ano. Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar minha equipe de transição imediatamente à sua disposição, para que possamos concluir, o mais rápido possível, um amplo acordo de comércio e investimento benéfico para ambas as nossas nações — construído sobre mercados livres, respeito mútuo e a aliança estratégica que nossos dois povos merecem.

Permaneço à sua inteira disposição e espero aprofundar a amizade entre o Brasil e os Estados Unidos.

Que Deus abençoe a América e que Deus abençoe o Brasil.
Respeitosamente,
Flávio Bolsonaro
Senador da República Federativa do Brasil"

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