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Vereador de São Paulo pede à OAB exclusão do nome de Deolane Bezerra dos quadros da advocacia

Representação protocolada na entidade cita investigação por organização criminosa.

O vereador Lucas Pavanato, da Câmara Municipal de São Paulo, protocolou uma representação junto à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) solicitando a exclusão da influenciadora Deolane Bezerra dos quadros da entidade. Inscrita na seccional paulista desde abril de 2014, ela possui registro ativo como advogada criminalista. Segundo o advogado do parlamentar, Roberto Beijato Junior, o pedido também requer a suspensão preventiva imediata de Deolane enquanto o caso é analisado.

“Todo advogado deve ostentar idoneidade moral. Aquele que deixa de contar com esse, com esse requisito, deve ser excluído da OAB”, afirmou nas redes sociais. “É uma vergonha a advocacia paulista dividir os seus quadros com alguém que usa das suas prerrogativas não para o exercício profissional, mas para blindar organizações criminosas”.

Foto: Mozart Gomes/ Câmara dos Vereadores de São PauloLucas Pavanato
Lucas Pavanato

A representação ocorre após a Polícia Civil indiciar Deolane Bezerra, o líder da facção PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, e outros cinco investigados pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A influenciadora foi presa em 21 de maio em um condomínio de luxo localizado em Alphaville, na Região Metropolitana de São Paulo. Conforme as investigações, ela é suspeita de receber recursos de uma transportadora apontada como ligada à facção criminosa e de participar de um esquema de lavagem de dinheiro.

“Deolane fala em público que ela foi presa no exercício da advocacia. Fala que foi presa por causa de pouco mais de vinte mil reais que havia sido depositado na sua conta. Essa versão é uma falácia. […] Não é essa a acusação contra ela. Ela é uma integrante de organização criminosa travestida de advogada. E, por isso mesmo, deve ser expulsa da OAB”, conclui Beijato.

Conhecida nas redes sociais como Doutora Deolane, a influenciadora declarou durante audiência de custódia realizada em 22 de maio que foi presa “no exercício da profissão” de advogada. Ela é formada em Direito pela Universidade Cidade de São Paulo (Unicid) e possui especialização em Direito Penal e Processo Penal pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Além da atuação como influenciadora digital, Deolane mantém o escritório Bezerra Advogados & Associados. Na mesma audiência, afirmou que os valores apontados pela investigação como ligados ao PCC seriam honorários advocatícios recebidos em 2020.

“Eu fui presa por estar advogando por uma quantia de R$ 24 mil depositada em minha conta por um cliente que consta no próprio relatório da polícia”, afirmou. Atualmente, Deolane está detida na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo.

A OAB destaca que a advocacia possui prerrogativas específicas previstas em lei. Entre elas, a impossibilidade de prisão em flagrante durante o exercício profissional, salvo em caso de crime inafiançável; o direito de advogados presos preventivamente serem recolhidos em sala de Estado-Maior com condições adequadas; e, na ausência desse espaço, o cumprimento da prisão em regime domiciliar. A entidade também prevê a obrigatoriedade da presença de um representante da OAB na lavratura do auto de prisão, sob pena de nulidade do procedimento, além de considerar crime a violação das prerrogativas profissionais dos advogados.

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