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Economia e Negócios

Inflação fecha o ano de 2021 no maior nível desde 2015

A inflação oficial desacelerou de alta de 0,95% no mês de novembro para 0,73% em dezembro.
Por Estadão Conteúdo

Com a ajuda da redução dos preços de combustíveis pela Petrobras nas refinarias na reta final do ano, a inflação oficial no País desacelerou de uma alta de 0,95% em novembro para 0,73% em dezembro, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados nesta terça-feira, 11, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A melhora, porém, não impediu uma elevação de 10,06% no custo de vida da população em 2021 como um todo, e alguns economistas já estão prevendo um novo estouro do teto da meta de 5% para a inflação em 2022.

A inflação de 2021 foi a maior desde 2015, no governo Dilma Rousseff (PT), quando ficou em 10,67%. Turbinado, principalmente, pelos aumentos dos combustíveis, energia elétrica e gás de cozinha, o resultado superou consideravelmente a meta de 3,75% perseguida pelo Banco Central para o ano, chegando quase ao dobro do teto de tolerância, de 5,25%. O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, terá, por conta disso, de enviar uma carta ao ministro da Economia, Paulo Guedes, explicando as razões de não ter conseguido cumprir o objetivo.

Previsão: acima da meta

Para este ano, ancorada na forte elevação dos juros que vem sendo promovida pelo Banco Central, a tendência é de uma desaceleração da inflação. Mesmo assim, o centro da meta, de 3,5%, não deverá ser alcançado. A maior parte dos economistas enxerga o teto, de 5%, praticamente como o piso. No Boletim Focus, divulgado esta semana pelo BC, a expectativa do mercado é de um IPCA de 5,03%, o que já significaria o segundo estouro consecutivo da meta.

Mas, no mercado, já há analistas prevendo números maiores. A projeção da XP, por exemplo, é de alta de 5,2%. Da Garde Asset, é de 5,3%. Já a gestora Quantitas trabalha com um número de 5,8%.

"Não estamos vendo nos números observados uma tendência de suavização da inflação no curto prazo", afirmou o economista João Fernandes, sócio da Quantitas. "O efeito da política monetária e da atividade econômica enfraquecendo vão fazer a inflação ficar menor ao longo de 2022, só que o risco parece estar migrando para que isso não aconteça em março ou abril, mas em maio ou julho", completou.

Houve um superdimensionamento de especialistas e de autoridades do governo sobre o caráter supostamente temporário da inflação em 2021, avaliou Eduardo Cubas, sócio e diretor da gestora Manchester Investimentos. Cubas prevê que o IPCA desacelere de forma notável apenas na segunda metade deste ano, o que poderia abrir espaço para que o BC começasse a pensar em uma redução na taxa básica de juros, a Selic, na tentativa de estimular a economia brasileira.

"O IPCA deixa um recado importante que será preciso avaliar os próximos passos para ver se dará espaço ou não para queda dos juros", disse Cubas.

Combustíveis

A redução nos preços dos combustíveis anunciada pela Petrobras nas refinarias em dezembro foi preponderante para desacelerar a inflação no País em relação a novembro - nesta terça-feira, 11, porém, a petroleira estatal já anunciou elevações nos preços da gasolina e do diesel, o que trará mais pressão para a inflação de janeiro.

“Certamente foram os combustíveis que acabaram puxando essa desaceleração, principalmente a gasolina, na medida em que é o item de maior peso no IPCA”, afirmou Pedro Kislanov, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE.

O peso da gasolina na inflação é de 6,68%, enquanto do etanol é de 1%. Após meses de seguidos de avanços, o preço da gasolina caiu 0,67% em dezembro, item de maior impacto negativo sobre o IPCA do mês, -0,05 ponto porcentual, enquanto o etanol diminuiu 2,96%, segundo maior impacto negativo, -0,03 ponto porcentual.

“Em geral, (o preço do) etanol acompanha a gasolina”, lembrou Kislanov.

Disseminação de aumentos

O índice de difusão do IPCA, que mostra o porcentual de itens com aumentos de preços, avançou de 63% em novembro para 75% em dezembro. Essa maior disseminação de reajustes teve influência de um crescimento na demanda por alguns itens característico dessa época do ano, mas também da recomposição de preços que tinham recuado em novembro durante as promoções da Black Friday, explicou Kislanov.

“Existe um componente sazonal, sem dúvida. Por um lado, você tem as festas de fim de ano, tem o componente de demanda por esse lado. E também tem o fato de que é o mês seguinte à Black Friday. Então os itens que tiveram variações negativas (em novembro) agora tiveram variações positivas, porque os preços voltaram ao patamar anterior”, justificou o pesquisador do IBGE.

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