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Economia e Negócios

Novo presidente da Petrobras defende atual política de preços da estatal

Indicado pelo governo, o engenheiro afirmou que a prática seria necessária a uma maior concorrência.
Por Estadão Conteúdo

O engenheiro José Mauro Coelho tomou posse nesta quinta-feira, 14, na presidência da Petrobras defendendo que a companhia pratique preços de mercado, seguindo as cotações internacionais do petróleo. Esse foi o um dos motivos de desentendimento de seus antecessores com o presidente Jair Bolsonaro, o general Joaquim Silva e Luna e Roberto Castello Branco. Indicado pelo governo, o engenheiro afirmou que a prática seria necessária a uma maior concorrência, com benefícios aos consumidores.

“Entendemos que a prática de preços de mercado é condição necessária para a criação de um ambiente de negócios competitivo, para a atração de investimentos e de novos agentes econômicos no setor, expansão da infraestrutura do País e a garantia do abastecimento”, afirmou Coelho. Ele tomou posse em cerimônia transmitida virtualmente pelo site da Petrobras.

O novo presidente da Petrobras abriu seu discurso de pouco menos de 20 minutos agradecendo a Deus e ao presidente Bolsonaro pela indicação e “confiança depositada” no cargo. Coelho assumiu o lugar do general Joaquim Silva e Luna, que ficou um ano no cargo. O militar da reserva foi demitido pelo presidente Bolsonaro pouco tempo após reajustes em 18,8% o litro da gasolina e 24,9% o litro do diesel nas refinarias da petroleira.

Petrobras utiliza o Preço de Paridade de Importação (PPI) para definir reajustes de gasolina e óleo diesel em suas refinarias. O valor se baseia nas cotações do petróleo no mercado internacional. Coelho afirmou que o Brasil seria autossuficiente em petróleo, mas importador de combustíveis como gás de cozinha, gasolina, diesel e querosene de aviação. Segundo ele, isso impõe desafios à garantia de abastecimento interno.

Benefícios

O novo comandante da Petrobras afirmou que o modelo de gestão adotado pela empresa a partir de 2017, no governo Michel Temer, e mantido na gestão de Bolsonaro, permitiu que a empresa reduzisse seu nível de endividamento de US$ 160 bilhões em 2014 para os atuais níveis, abaixo de US$ 60 bilhões. Para ele, isso abre espaço para maiores investimentos da companhia.

Coelho fez ainda outros acenos ao mercado. Sinalizou, por exemplo, com a manutenção de políticas de desinvestimentos (venda) em campos maduros de petróleo, refinarias e no setor de gás natural, como na Gaspetro e no Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG).

“Vamos ser aderentes ao plano estratégico 2022-2026, maximizando ativos de águas profundas e ultraprofundas”, disse. Ele acrescentou que investimentos em refino serão focados em locais próximos da produção.

A sinalização do novo presidente da Petrobras, de manutenção da atual política de preços dos combustíveis, era amplamente esperada pelo mercado, avaliou o analista da Ativa Investimentos, Ilan Arbetman. “Vamos ver o que vai realmente acontecer daqui para a frente, mas vi a defesa dos principais pilares que a empresa vem adotando desde a metade da década passada”, disse.

Coelho estava acompanhado, durante a cerimônia, do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, responsável por levar seu nome ao presidente Bolsonaro. Também participaram da solenidade o presidente do conselho de administração da estatal, Marcio Weber, e Rodolfo Saboia, diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Albuquerque afirmou, em seu discurso, que um dos papéis relevantes da Petrobras é a oferta de energia de qualidade, a preços competitivos aos consumidores.

“A Petrobras tem papel relevante a desempenhar, seja na geração de emprego, renda e oportunidades, contribuindo para a prosperidade nacional, seja na garantia da segurança energética do nosso País, com provimento de energia de qualidade, a preços competitivos aos consumidores”, disse Albuquerque.

Pela manhã, o conselho de administração da Petrobras elegeu Coelho para a presidência da companhia por maioria de votos, segundo fontes. Dois conselheiros votaram contra o nome do engenheiro. Um dos votos contrários partiu da representante dos trabalhadores. Outro voto contrário foi de um representante de minoritários, segundo fontes.

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