O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro determinou, nesta quinta-feira (15), o afastamento de Ednaldo Rodrigues do cargo de presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A decisão, assinada pelo desembargador Gabriel Zefiro, nomeia o vice-presidente Fernando Sarney como interventor responsável por convocar novas eleições para a entidade.
Esta é a segunda vez que Ednaldo Rodrigues é afastado judicialmente desde que assumiu o comando da CBF. A nova decisão ocorre no contexto de uma crise envolvendo a validade de um acordo que reconhecia sua eleição em 2022. O documento, assinado em janeiro de 2025, agora é contestado judicialmente por suspeitas sobre a legitimidade da assinatura de Antônio Carlos Nunes de Lima, o Coronel Nunes, ex-presidente da CBF.
Segundo o desembargador Gabriel Zefiro, a assinatura de Nunes pode ter sido falsificada, além de haver fortes indícios de que o dirigente, por motivos de saúde, não teria plena capacidade mental para firmar o acordo. “A robustez dos indícios trazidos aos autos leva à inarredável conclusão acerca de um fato, até mesmo óbvio: há muito o Coronel Nunes não tem condições de expressar de forma consciente sua vontade”, afirmou o magistrado.
O laudo médico que sustenta essa tese foi elaborado pelo neurologista Jorge Pagura, também ligado à própria CBF como presidente da comissão médica. Ele aponta “déficit cognitivo” em Nunes desde junho de 2023, após uma cirurgia para tratamento de câncer no cérebro. O relatório foi anexado em processos judiciais e reforça a argumentação de que o Coronel Nunes não teria condições de assinar o documento que sustentava politicamente a permanência de Ednaldo Rodrigues.
Além do laudo, foi anexada à petição uma procuração emitida por Nunes no mesmo período, delegando poderes a outra pessoa para administrar suas finanças, documento que também levantou dúvidas sobre sua autonomia.
Um parecer técnico produzido pela empresa da perita Jacqueline Tirotti, contratado por um vereador do Rio de Janeiro, reforçou a tese de que a assinatura do Coronel no acordo não seria autêntica. Segundo a especialista, há “impossibilidade de vinculação do punho” ao ex-dirigente, com base em divergências nos padrões gráficos e ausência de rubricas e fixações no documento.
A CBF reagiu, dizendo que o laudo está sendo “utilizado de forma midiática e precipitada”, além de apontar interesses políticos no processo. Ainda assim, a ausência de Nunes em uma audiência judicial recente foi considerada um fator decisivo na decisão de afastamento.
Com o afastamento de toda a diretoria, o desembargador Zefiro determinou:
“Que o Vice-Presidente da CBF, Fernando José Sarney, realize a eleição para os cargos diretivos da CBF, na qualidade de interventor, o mais rápido possível, obedecendo-se os prazos estatutários, ficando a seu cargo, até a posse da diretoria eleita, os poderes inerentes à administração da instituição, dispostos no art. 7º do Estatuto da Entidade.”
Ednaldo Rodrigues, que se encontra no Paraguai após participar do Congresso da FIFA, ainda não se manifestou oficialmente sobre o afastamento.
Izabella Furtado
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