Kylian Mbappé se manifestou pela primeira vez sobre a eliminação da França diante da Espanha, na semifinal da Copa do Mundo de 2026. Cerca de duas semanas após a derrota, o atacante publicou uma carta aberta nas redes sociais nesta segunda-feira (27), na qual falou sobre a frustração com o resultado.
Na publicação, o jogador também destacou a conquista da artilharia do torneio e afirmou estar orgulhoso pelo feito. No entanto, ressaltou que a marca teria um significado ainda maior caso viesse acompanhada do título mundial para a França.
“Não vou fingir que não dói, e vai doer durante algum tempo. Não vou fingir o contrário. Estou orgulhoso por ter conquistado a Chuteira de Ouro, mas teria significado muito mais com a Copa Mundo ao lado. Talvez vos devêssemos um final melhor. Mas nem sempre podemos escolher como termina a história. Podemos, isso sim, escolher o que colocamos nela, e demos tudo”, escreveu o jogador em trecho.
Aos 23 anos, Mbappé disputou sua terceira Copa do Mundo. Campeão em 2018, vice-campeão em 2022 e quarto colocado em 2026, o atacante também fez história ao se tornar o maior goleador da história das Copas do Mundo.
Leia a carta na íntegra
“Obrigado.
Um mês de emoções. De ultrapassar os nossos limites. De orgulho em vestir as cores de França. E, acima de tudo, de paixão: a mesma paixão que nos move dentro do campo e que vos move a vocês, quer estivessem a assistir em casa ou a torcer nas bancadas. Foi isso que vivemos juntos. Uma história incrível.
Não vou fingir que não dói, e vai doer durante algum tempo. Não vou fingir o contrário. Estou orgulhoso por ter conquistado a Chuteira de Ouro, mas teria significado muito mais com a Copa Mundo ao lado. Talvez vos devêssemos um final melhor. Mas nem sempre podemos escolher como termina a história. Podemos, isso sim, escolher o que colocamos nela, e demos tudo.
Obrigado aos meus companheiros de equipa. Sem o trabalho deles, as suas corridas, os seus passes, sem o espírito que nos acompanhou desde o primeiro jogo até ao último, eu nunca teria marcado tantos golos. Este prémio pertence tanto à equipa como a mim.
Quando era criança, sonhava jogar num Campeonato do Mundo. Um só. Agora já joguei três, venci um, e este ano tive a imensa honra de ser o capitão da minha seleção. Nunca me esquecerei disso.
Muitos de vocês ficaram acordados até tarde, alguns pela noite dentro, para nos ver jogar do outro lado do oceano.
Reuniram-se em casa, nos bares, com a família e os amigos, em França e muito para além das suas fronteiras. Outros estiveram connosco nos estádios, vestidos com a bandeira francesa. Crianças com estrelas nos olhos. Homens e mulheres de todas as origens e de todas as gerações, unidos pela simples alegria de partilhar o mesmo jogo.
E nunca deixaram de acreditar em nós. Nem nos momentos mais difíceis. Nem sequer quando menos o merecíamos. Esta história foi escrita por milhões de mãos, não apenas pelos onze jogadores em campo, todos movidos pela mesma paixão.
Já disse ao Didier aquilo que precisava de dizer. Ele sabe. Obrigado a ele, a toda a sua equipa, aos fisioterapeutas, aos cozinheiros, aos preparadores físicos, aos motoristas e a todos os que trabalham nos bastidores, que ninguém vê e sem os quais nada disto teria sido possível. E obrigado a todos os que nos apoiaram e nos acompanharam pelos Estados Unidos.
No fundo, o futebol continua a ser um jogo. Um jogo que levamos muito a sério, que passamos uma vida inteira a tentar dominar, mas que continua a ser, ainda assim, um jogo — e tudo se resume àquilo que nos levou a jogar pela primeira vez: uma bola, uma baliza e o desejo de marcar. É isso que nos une, e é isso que o torna tão especial.
Este Campeonato do Mundo chegou ao fim, mas a história continua. Haverá outros jogos, outras noites de verão e de inverno em que voltaremos todos a reunir-nos em torno deste mesmo jogo, com o mesmo entusiasmo inabalável. A nossa jornada juntos está longe de terminar.
Obrigado por tudo.
Kylian Mbappé”
Sara Nascimento
Ver todos os comentários | 0 |