O Fórum de Lisboa se prepara para realizar sua 14ª edição com expectativa de público recorde. O encontro, que acontece entre os dias 1º e 3 de junho de 2026, deve reunir magistrados, empresários e representantes da sociedade civil na capital portuguesa.
À frente da organização está o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que tem articulado a participação de nomes relevantes do meio jurídico e institucional. O evento, apelidado informalmente de “Gilmarpalooza”, ganhou notoriedade ao longo dos anos pela diversidade de participantes e pela influência nos debates sobre temas contemporâneos.
A edição deste ano ocorre em um momento de desgaste na imagem do Supremo Tribunal Federal, segundo levantamentos recentes que indicam avaliação mais negativa do que positiva para a maioria dos ministros. Entre eles, apenas André Mendonça apresenta índice de aprovação superior à rejeição.
Mendonça, inclusive, está à frente de processos de grande repercussão nacional, como investigações relacionadas a fraudes no INSS e questões envolvendo o Banco Master. O fundador da instituição, Daniel Vorcaro, firmou recentemente acordo de confidencialidade com autoridades, abrindo caminho para uma possível delação premiada.
Nos bastidores, eventos internacionais com a presença de magistrados têm se tornado cada vez mais frequentes. Em edições anteriores e encontros semelhantes, empresas privadas promoveram jantares e atividades paralelas, o que levanta discussões sobre a proximidade entre o setor empresarial e membros do Judiciário.
Para 2026, as inscrições já estão abertas e parte da programação foi divulgada. Além de Gilmar Mendes, a jurista alemã Angelika Nussberger está confirmada como palestrante. As atividades ocorrerão na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.
O evento é organizado pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, em parceria com o Lisbon Public Law e a FGV Justiça. Fundado por Gilmar Mendes, o IDP tem papel central na realização do fórum, que se consolidou como espaço de debate sobre desafios institucionais e jurídicos em escala global.
Apesar das críticas sobre possíveis conflitos de interesse, o ministro já afirmou publicamente que a atuação do instituto segue parâmetros privados e não interfere em sua função no Judiciário.
Wanessa Gommes
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