A Polícia Civil do Maranhão trabalha com a estimativa de que entre oito e 12 crianças tenham tido contato com o diretor-adjunto de uma creche de Timon, Alberto Luiz Freitas Monção, investigado por supostos abusos sexuais contra alunos da instituição. A informação foi repassada ao GP1 nesta quinta-feira (18) pela delegada Lorena Alves, titular da Delegacia Especial da Mulher de Timon.
Apesar da estimativa, a delegada ressaltou que ainda não há confirmação sobre o número de vítimas. Segundo ela, os dados levantados até o momento são baseados em indícios coletados durante a investigação. “Ainda não tem confirmação. Só estimativa de vítimas que tiveram contato, cerca de 8 a 12 crianças. Só indícios sem confirmações”, afirmou Lorena Alves ao GP1.
Investigação depende de laudos e análise de imagens
Em entrevista à imprensa nessa quarta-feira (17), a delegada explicou que o inquérito ainda está em andamento e que a definição do número de vítimas depende da conclusão de laudos periciais, exames técnicos e da análise das imagens captadas pelas câmeras de segurança da creche.
Segundo Lorena Alves, trata-se de uma investigação complexa, principalmente porque crimes dessa natureza nem sempre deixam vestígios físicos que possam ser constatados pelos peritos. “Não temos ainda a quantidade exata das vítimas. É um inquérito demorado porque depende dos laudos técnicos, de câmeras e de exames periciais nas crianças. Alguns desses crimes não deixam vestígios porque, às vezes, ocorre um contato muito rápido”, declarou.
A delegada também não descartou a possibilidade de surgirem novas vítimas ao longo das investigações. Conforme ela, alguns pais podem ainda não ter percebido alterações de comportamento nos filhos ou sequer registrado boletim de ocorrência. Além disso, a perícia nas imagens poderá revelar que o investigado manteve contato com um número maior de crianças.
Revogação da prisão não altera investigação
Lorena Alves destacou ainda que a revogação da prisão preventiva de Alberto Luiz Freitas Monção não interfere no andamento do inquérito. De acordo com a delegada, os elementos reunidos pela Polícia Civil continuam apontando para a existência dos fatos investigados.
“A prisão foi revogada, mas isso não tem influência sobre o trabalho policial. As investigações prosseguem e os indícios apontam para a autoria e a materialidade dos fatos. Nosso objetivo é concluir o inquérito o mais rápido possível”, afirmou.
Justiça revogou prisão preventiva
A prisão preventiva do investigado foi revogada pela Justiça do Maranhão em decisão assinada pelo juiz Rogério Monteles. O magistrado entendeu que o Ministério Público não apresentou denúncia dentro do prazo legal e concordou com uma prorrogação da investigação considerada incompatível com o Código de Processo Penal.
Embora tenha determinado a soltura do investigado, o juiz reconheceu que a liberdade dele ainda representa risco às vítimas e à ordem pública. Por esse motivo, foram impostas medidas cautelares para restringir sua atuação enquanto as investigações continuam.
Entenda o caso
Conforme a investigação, Alberto Luiz Freitas Monção retirava crianças das salas de aula e as conduzia para um depósito localizado dentro da diretoria da creche, local que não possuía monitoramento por câmeras de segurança. A Polícia Civil apura ainda a informação de que uma das primeiras medidas adotadas por ele ao assumir funções na unidade teria sido a retirada da câmera que existia no ambiente.
Testemunhas relataram que o investigado costumava oferecer brinquedos e celulares às crianças antes de permanecer sozinho com elas no depósito. Imagens já analisadas pela perícia mostram o suspeito conduzindo alunos para o local e permanecendo alguns minutos no ambiente.
A maioria das possíveis vítimas identificadas até o momento são meninos com até três anos de idade. O caso segue sob segredo de Justiça.
Izabella Furtado
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