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Em live com Bolsonaro, Damares alerta para aumento de estupros contra bebês

Na live semanal do presidente, a ministra falou sobre ações desenvolvidas por sua pasta e defendeu ideias, principalmente relacionadas ao combate à violência contra a criança.

Thais Guimarães
Teresina
- atualizado

A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, participou de uma live com o presidente Jair Messias Bolsonaro na última quinta-feira (27), e falou sobre ações desenvolvidas por sua pasta e defendeu ideias, principalmente relacionadas ao combate à violência contra a criança. Ela afirmou que os casos de abusos aumentaram durante o isolamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus.

Segundo a ministra, embora os registros no Disque 100 tenham caído 17%, a quantidade de abusos cresceu com o isolamento social, pois, nas palavras dela, a maior parte dos algozes, nesses casos, são parentes e pessoas próximas. “A maior violência no Brasil é contra a criança. Em segundo lugar, é a violência contra idoso. Em terceiro, pessoa com deficiências”, elencou.

  • Foto: Reprodução/FacebookDamares e Bolsonaro em liveDamares e Bolsonaro em live

Sem citar números, a ministra disse que aumentou o número de estupros a bebês e também que o Brasil teria sites ilegais cobrando para exibir cenas de estupros de crianças por até R$ 50 mil. Ela afirmou que está trabalhando junto ao Ministério da Justiça para combater essa rede de pornografia.

“Com criança é a violência física, negligência e pedofilia. E estão dizendo que a direita inventou a pedofilia. Eu já combatia a pedofilia. Esse foi um dos motivos que o senhor me chamou. Hoje, estamos com uma tragédia, estupro de recém-nascido. De bebês de sete dias. Estourou nos últimos cinco anos. E tenho uma notícia triste, que no Brasil, já é possível pagar para assistir o abuso de uma criança ao vivo on-line. Estamos no caos. Não é invenção da direita. E o ministro da Justiça e o nosso ministério vai fazer esse enfrentamento no mundo on-line. Isso sim é direitos humanos”, declarou.

Críticas ao PT

Na live, Bolsonaro criticou a criação do site Humaniza Redes, elaborado no governo Dilma Rousseff para combater crimes e ofensas aos direitos humanos na internet. “Tinha um site aí, Humaniza Redes, vinculado a uma ministra, não vou falar o nome. E está claro. Dizia que se você estiver andando por aí e ver alguém abusando de uma criança, você não leva para a delegacia, mas para o hospital, que fará um laudo”, disse.

Damares endossou as críticas, enfatizando que não se pode “relativizar” a pedofilia. “Não aceitamos relativizar a pedofilia. Não se justifica, não se minimiza, se enfrenta. Não vamos colocar no caso de doença, mas de crime. Uma imagem de um bebê sendo abusado pode ser apresentado por R$ 50, R$ 100 mil. São milhões. O Brasil está fazendo img para o mundo todo. Eu quero exportar é soja. É carne. É frango”, colocou.

Sérgio Moro

A ministra elogiou a atuação do novo ministro da Justiça no combate a esses crimes. Damares. “O novo Ministro da Justiça é valente. Está fazendo um bom trabalho”, destacou.

Em seguida, Bolsonaro parabenizou a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal pelas apreensões de drogas e alfinetou o ex-ministro Sergio Moro. “Reparou como voltou a funcionar muito bem o Ministério da Justiça? ”.

Volta às aulas

O presidente questionou os riscos de crianças sem aula na pandemia. “Eu estou assustada. No Acre, a violência contra a mulher aumentou 600%. No disque 100, a violência contra a criança caiu 17%. Mas ela não denuncia. Quem denuncia é um professor. Estamos preocupados com a volta às aulas. Que criança vamos receber na escola? Quando voltarem para a creche, o que nos espera? Nós vamos ter números assustadores de violência contra a criança no Brasil”, respondeu Damares.

Disque 100

A ministra revelou que menos de 10% da violência sexual contra a criança é denunciada, e pediu para que a população denuncie. “É bom lembrar que mais de 89% dos abusos é dentro de casa. “Temos pedido para toda sociedade nos ajudar denunciando. Entregamos o Disque 100, que as pessoas ficavam 40 minutos na linha para falar. Hoje é menos de 20 segundos. Criar rede de proteção, professor vigilante, educadores vigilantes, vizinho vigilante, e observar qualquer sinal. Porque a criança dá sinal. É o caminho para chegarmos até as crianças”, frisou.

Aborto

Damares disse que não vai mudar a legislação atual sobre o aborto, e que, se isso ocorrer, será por uma decisão do Congresso Nacional. Contudo, ela ressaltou que vai continuar acompanhando e protegendo a criança que precisou passar por um aborto após ser estuprada continuamente por um tio. “O que nós vamos fazer é proteger essa menina em tudo que ela precisar e inclusive saber se ela vai ficar melhor com a família ou em outro lugar, mas nós vamos dar o acompanhamento a essa menina até o final das investigações. Tem muitas respostas nesse caso que nós estamos procurando ainda”, falou.

“Ela é uma das centenas de meninas com menos de 14 anos, grávida no Brasil. Quando a gente entrou com aquele programa de falar sobre sexo precoce no Brasil disseram que eu era uma religiosa. Eu sei o que estou falando. Crianças estão tendo relações sexuais cada vez mais cedo e nesse caso foi abuso, foi estupro. Mas a gente também tem aí uma grande motivação de erotização de crianças no Brasil. Temos que enfrentar a erotização de crianças no Brasil”, acrescentou.

Estupro

A ministra destacou que sexo com crianças menores de 14 anos é estupro, e Bolsonaro afirmou que queriam diminuir a idade para 12 anos. “Queriam diminuir para 12. E aí, presidente, tiveram a coragem de apresentar o projeto escrito 12, mas nos bastidores, atenção Brasil, uma ex-assessora vai falar agora, nos bastidores estavam conversando, 12 estava no papel”, garantiu Damares.

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