Piauí

Empresa não presta apoio à família de piauiense que desapareceu no RJ

Francisco caiu de uma embarcação da empresa Bravante, que prestava serviços à Petrobras na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro. 

Andressa Martins
Teresina
- atualizado

Adriana Gonçalves, namorada do piauiense Francisco Filho, desaparecido desde o dia 18 de dezembro, disse ao GP1 que a empresa Bravante, diferente do que está sendo veículado na mídia, não presta apoio à família do jovem. Francisco caiu de uma embarcação da empresa, que prestava serviços à Petrobras, na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro.

“Deram apoio quando estávamos no hotel, depois disso mal respondem e-mail”, afirmou Adriana. A família continua sem informações sobre o corpo do jovem e sobre as circunstâncias do acidente.

  • Foto: Facebook/Francisco das ChagasFrancisco das Chagas Oliveira da SilvaFrancisco das Chagas Oliveira da Silva

“O Filho está sendo só mais um número. Não estão nem aí para o que realmente aconteceu. Já devem ter até colocado alguém no lugar dele, se duvidar”, lamentou a namorada.

Embarcação Mar Limpo III

Ao GP1, Adriana contou como funciona o trabalho no Navio Mar Limpo III, onde Francisco trabalhava. “Eram 13 pessoas embarcadas. Uma só manda e observa tudo, que é o comandante. As 12 pessoas são divididas em grupos de 6 e cada grupo é subdividido em 3 duplas”, explicou. Durante a jornada de trabalho, metade da equipe trabalha e outra metade descansa.

No momento do acidente, seria necessária a presença de outro funcionário observando o trabalho de Francisco Filho, mas a pessoa que estaria responsável não se pronunciou. “Eu não duvido nada que quem era para estar vigiando o Filho enquanto ele executava o trabalho dele, estava com um celular navegando na internet”, disse Adriana.

  • Foto: Instagram/AdrianaGonçalvesFrancisco Filho e Adriana GonçalvesFrancisco Filho e Adriana Gonçalves

Outros acidentes

Questionada se na embarcação já houve outros tipos de acidentes, Adriana afirmou que não tem conhecimento, mas contou de um episódio em que o navio que Francisco trabalhava foi punido.

“O representante da empresa disse que tinha sido o único caso [Francisco], mas o Mar Limpo já tinha sido punido há uns meses atrás, devido um acidente que tinha ocorrido. O barco que Francisco trabalhava passou dois embarques, se não me engano, sem WiFi por conta desse acidente, porque suspeitaram que o cara estava mexendo no celular enquanto operava”, contou.

13 metros

De acordo com Adriana, Francisco Filho caiu de uma altura de aproximadamente 13 metros. Ainda segundo a estudante de engenharia de pesca, quando algum funcionário vai exercer atividade que é tida como de risco, é necessária a abertura de uma Permissão de Trabalho (PT). Várias pessoas da embarcação assinam essa permissão, informando assim local de início, materiais de segurança dentre outras especificações.

“Se a pessoa da dupla saiu para ir ao banheiro, o trabalho para, ele vai na PT e avisa. Todo mundo fica esperando ele voltar para assinar, dizendo que voltou e continuar o trabalho, com todos olhando”, explicou.

Embora seja uma política de segurança, nenhum outro funcionário que estaria observando Francisco sabe dizer o que aconteceu. O local e a hora do acidente também não são exatos, são apenas deduções.

“Todos que se diziam amigos dele, que eu tinha até contato, simplesmente sumiram como se realmente soubessem o que aconteceu”, lamentou Adriana.

Empresa negou mostrar PT do acidente

Adriana Gonçalves disse que chegou a pedir à empresa Bravante para ver a Permissão de Trabalho do momento em que Francisco trabalhava e se acidentou, mas a empresa negou. “Pedi a PT para ver o que tinha e me negaram, como se não tivessem feito, o que é mais um erro”, contou.

A namorada de Francisco Filho espera que a Marinha do Brasil tome as medidas legais e faça as devidas punições para a empresa Bravante.

Homenagem

Acontecerá às 16h deste sábado (6), no porto inativo de Luís Correia, o Quebra-Mar, uma homenagem à Francisco Filho. Amigos e familiares se encontrarão no lugar onde o rapaz gostava de frequentar para ver o pôr do sol. Segundo Adriana, a maioria vai vestir branco, soltarão balões e distribuirão flores para reavivar a lembrança do jovem.

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