Teresina - PI

Empresário usava pistola da Secretaria de Segurança do Piauí, diz PF

O empresário foi preso nessa quarta-feira (20) durante a "Operação Boca Livre", deflagrada pela Polícia Federal. As informações foram repassadas ao GP1 pelo delegado Reinaldo Camelo.

Brunno Suênio
Teresina
- atualizado

O empresário Alano de Sousa Rodrigues, um dos alvos da "Operação Boca Livre", da Polícia Federal, foi preso nas primeiras horas da manhã dessa quarta-feira (20) ao ser flagrado com uma pistola .40 da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Piauí em sua residência, localizada no bairro Morros, zona leste de Teresina. Além da pistola, foram apreendidas ainda 10 munições calibre .40 e outras 10 munições calibre .380, todas intactas.

As informações foram confirmadas ao GP1 pelo delegado Reinaldo Camelo, chefe da Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros.

  • Foto: Arquivo PessoalAlano de Sousa Rodrigues, preso por posse ilegal de arma de fogoAlano de Sousa Rodrigues, preso por posse ilegal de arma de fogo

De acordo com o delegado, a prisão não faz parte do objeto da investigação da Polícia Federal, que constatou superfaturamento de R$ 1,7 milhão durante a aquisição de merenda escolar, através de um contrato fraudulento realizado pela Secretaria de Estado da Educação do Piauí, no ano de 2014, no valor total de R$ 5.300.000,00 (cinco milhões e trezentos mil reais).

  • Foto: Polícia Federal no PiauíAuto de apresentação de apreensão Auto de apresentação de apreensão

“A prisão foi logo pela manhã no horário padrão, entre 6h a 6h30, quando foi feita a busca. Ele está preso e a arma .40 que estava com ele é da Secretaria de Segurança Pública”, pontuou o delegado. Alano de Sousa Rodrigues foi autuado por posse ilegal de arma de fogo e a partir de agora será instaurado um inquérito que vai identificar entre outras coisas como o empresário teve acesso à pistola da SSP-PI.

Operação Boca Livre

A Polícia Federal, em conjunto com a Controladoria Geral da União (CGU) deflagrou nas primeiras horas da manhã da última quarta-feira (20) a Operação Boca Livre, com o objetivo de dar cumprimento a 12 mandados de busca e apreensão contra empresários, servidores públicos e a Secretaria de Estado da Educação do Piauí.

As investigações da Polícia Federal apontaram que as três empresas agiram em conjunto com agentes públicos para fraudar o pregão presencial 01/22014 realizado pela Seduc-PI, direcionando objeto da licitação às empresas e a efetiva aquisição de merenda escolar com sobrepreço.

Restou comprovado um prejuízo de R$ 1.751.740,61 (um milhão, setecentos e cinquenta e um mil, setecentos e quarenta reais e sessenta e um centavos), referente ao superfaturamento dos pagamentos realizados pela Secretaria Estadual de Educação junto às empresas envolvidas no esquema, que totalizaram cerca de R$ 5.300.000,00 (cinco milhões e trezentos mil reais).

Pagamento de propina

A Polícia Federal constatou ainda a movimentação de cerca de R$ 300 mil nas contas pessoais de servidores públicos da Secretaria de Estado da Educação do Piauí, sugerindo pagamento de propina no esquema fraudulento do pregão 01/2014.

  • Foto: Brunno Suênio/GP1Delegado Reinaldo CameloDelegado Reinaldo Camelo

Segundo o delegado Reinaldo Camelo, foram identificados além do “superfaturamento do pregão, como também corrupção”, através de “transações bancárias suspeitas relacionadas a servidores públicos", destacou. Os pagamentos referentes ao pregão ocorreram durante os meses de setembro e outubro do ano de 2014. O pregão "se iniciou no final de dezembro de 2013 e se estendeu ao longo de 2014. Os pagamentos foram realizados ainda no ano de 2014, entre os meses de setembro e outubro. Os contratos eram de 12 meses para serem executados ao longo de 2014”, acrescentou o delegado.

Mandados de prisão temporária

A Polícia Federal solicitou também a expedição de mandados de prisão temporária no âmbito da Operação Boca Livre, no entanto, a Justiça Federal não os deferiu. Apesar disso, o delegado Reinaldo Camelo garantiu que as provas são suficientes para constatar o esquema fraudulento. “[Os mandados] foram solicitados e indeferidos. Eu acredito que a gente já tenha um lastro probatório bem robusto na investigação. Claro que a circunstância das oitivas seria facilitada com uma estrutura operacional, com oitivas na superintendência durante o cumprimento do mandado de prisão, mas isso não vai atrapalhar nossos trabalhos e com certeza há elementos que instruem a investigação”, finalizou.

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