Teresina - PI

Jardineiro diz que foi pressionado para cortar árvores no Saci

De acordo com informações da delegada Edenilza Viana, o jardineiro disse estar ciente de que sua ação foi errada.

Débora Dayllin
Teresina
- atualizado

Em entrevista ao GP1 na tarde desta quarta-feira (20), a delegada Edenilza Viana, titular da Delegacia Especializada de Proteção ao Meio Ambiente, deu detalhes sobre o depoimento do jardineiro responsável pelo corte ilegal de árvores na Praça Gentil Macêdo no Saci, zona sul de Teresina.

De acordo com informações da delegada, o jardineiro disse estar ciente de que sua ação foi errada, que alegou também ao contador Charles Ramos Menezes, suspeito de ser o mandante do crime, mas acabou cedendo diante da pressão do mesmo.

  • Foto: Hélio Alef/GP1Árvores foram destruídas na Praça Gentil MacedoÁrvores foram destruídas na Praça Gentil Macedo

“Ele informou que foi contratado pelo autor, que é um contador e tem um escritório de contabilidade no local. Ele contratou esse jardineiro, que fez os cortes. Ele disse que era consciente que era uma praça pública, questionou o contador, mas ele afirmou que ele podia fazer porque ele pagava a multa, que tinha dinheiro, que podia cortar. Então o jardineiro cortou uma parte, então o contador insistiu que poderia cortar mais porque ele queria que ficasse sem planta na frente”, afirmou a delegada.

O contador Charles Ramos Menezes, que mora há 46 anos nas proximidades da praça, confessou o crime e alegou que queria espantar os usuários de drogas, alcoólatras e vândalos do local. “Ele alega a questão dos usuários de drogas que frequentavam o lugar, mas pelo que ouvi, não é bem assim, lá passavam usuários de drogas, mas não ficavam lá, quem frequentava realmente a praça eram os vizinhos, que se reuniam para beber, que brincavam, que passeavam, então não existia essa morada de usuários de drogas para justificar”, rebateu Edenilza.

Ainda de acordo com a delegada, uma testemunha revelou em seu depoimento a real motivação do contador. “Inclusive outra testemunha nos revelou que a verdadeira intenção dele era poder fazer com que o escritório de contabilidade dele tivesse visibilidade, porque o escritório ficava em cima da praça, é uma coisa até a ser questionada como pode alguém colocar uma empresa, em cima de um bem público? Não pode. Ele agora vai ser multado e vai responder por tudo isso”, finalizou.

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