A defesa da jovem de 26 anos, agredida pelo ex-companheiro, o policial militar Gabriel Veras Tomaz Silva, lotado no 29º BPM de Teresina, solicitou à Justiça a prorrogação, por tempo indeterminado, da suspensão do porte de arma do investigado, no âmbito de apuração por violência doméstica e cárcere privado.
Segundo o advogado da vítima, Smailly Carvalho, a medida é considerada essencial para garantir a segurança da jovem. “Ele deve ficar sem porte por 90 dias e também solicitamos a prorrogação por tempo indeterminado”, afirmou ao GP1.
Além da ação na Justiça comum, o policial também responde a um procedimento disciplinar instaurado pela Corregedoria da Polícia Militar do Piauí. A corporação informou que já adotou medidas administrativas e suspendeu o porte de arma do investigado enquanto apura as condutas atribuídas a ele.
Pedido de tornozeleira e medidas protetivas
A defesa também ingressou com pedido para que o policial passe a utilizar tornozeleira eletrônica, após ter sido colocado em liberdade durante audiência de custódia. Conforme o advogado, outras medidas protetivas já foram solicitadas à Justiça.
“Existem várias medidas protetivas. Nós solicitamos o uso da tornozeleira, com botão de pânico, para a vítima”, explicou. Ainda de acordo com ele, a jovem vive sob constante medo. “Ela está praticamente reclusa em casa. Sofreu todos os tipos de agressões, e manter esse rapaz em liberdade representa uma ameaça enorme”, declarou ao GP1.
Vítima pediu ajuda em grupo de WhatsApp
O caso foi registrado na madrugada do dia 27 de abril, em um condomínio no bairro Santa Lia, zona leste de Teresina. A vítima conseguiu pedir ajuda por meio de um grupo de colegas de trabalho no WhatsApp, que acionaram a polícia.
De acordo com familiares ouvidos pelo GP1, as agressões começaram ainda na manhã do domingo (26), quando a jovem foi atacada ao retornar ao quarto. Ao longo do dia, a violência se intensificou, com episódios de empurrões, espancamentos e estrangulamentos em diferentes cômodos do apartamento.
Durante a noite, o policial teria permanecido armado em parte do tempo e feito ameaças contra a própria vida e a da vítima. Mesmo sob violência, a mulher conseguiu pedir socorro a amigos, que mobilizaram ajuda.
Cárcere e violência sexual
A vítima afirma que foi mantida contra a própria vontade dentro da residência e alvo de tentativa de violência sexual. Segundo o advogado, houve agressões de natureza sexual durante o episódio. “Essa moça foi agredida, inclusive, sexualmente”, relatou.
O policial chegou a ser preso em flagrante, mas foi liberado após audiência de custódia.
Questionamentos sobre atuação policial
Familiares também levantaram questionamentos sobre a atuação dos policiais que atenderam à ocorrência. Segundo eles, após o atendimento inicial, agentes teriam permanecido dentro da residência conversando com o suspeito, que seria conhecido de parte da equipe.
“Ela estava trancada dentro de casa. Quando a viatura chegou, ficaram horas com policiais amigos dele conversando com ele, enquanto ela aguardava ajuda do lado de fora”, relataram.
Na delegacia, a família afirma que a vítima se sentiu coagida e que houve minimização da gravidade dos fatos. “Mesmo relatando tudo, disseram que não havia lesão aparente, sendo que ela mal conseguia caminhar”, disse um familiar.
Histórico de violência
Segundo relatos da família da vítima, o relacionamento era marcado por episódios anteriores de violência, que não chegaram a ser denunciados formalmente.
Ainda conforme o relato, o fato de o agressor ser policial militar teria contribuído para o silêncio da vítima, que temia represálias e não se sentia segura para formalizar denúncias. A família afirma que o medo e a pressão emocional fizeram com que os episódios anteriores não fossem levados às autoridades.
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Izabella Furtado
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