A Comissão Mista Parlamentar de Inquérito do INSS rejeitou a convocação do advogado-geral da União e indicado ao Supremo Tribunal Federal, Jorge Messias, em sessão realizada nesta quinta-feira. O placar de 19 a 11 consolidou uma vitória para o governo, que tenta evitar desgastes enquanto busca votos no Senado para aprovar o nome do AGU ao STF.
A convocação era tratada como um risco político, já que Messias enfrenta resistências entre senadores alinhados ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre, e defensores da indicação de Rodrigo Pacheco. A oposição alegava que a AGU teria sido alertada sobre irregularidades no INSS ainda sob gestão de Messias e não teria adotado medidas suficientes. Governistas classificaram o movimento como manobra oportunista.
A comissão também decidiu rejeitar pedidos de convocação do empresário Fábio Luís Lula da Silva e de executivos de instituições financeiras como PicPay, C6, Crefisa e Santander. Por outro lado, aprovou as convocações do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, e do dono do banco Master, Daniel Vorcaro. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana, afirmou que pedirá a prorrogação dos trabalhos por 60 dias, medida que dependerá de autorização de Alcolumbre.
As investigações tiveram origem na chamada “farra do INSS”, revelada por reportagens que mostraram o crescimento abrupto de cobranças indevidas aplicadas a aposentados, alcançando R$ 2 bilhões em um ano. As denúncias motivaram ações da Polícia Federal, da Controladoria-Geral da União e resultaram em exonerações no comando do INSS e do Ministério da Previdência.
Caroline Vitorino
Ver todos os comentários | 0 |