Fechar
GP1

Política

China sai em defesa do Brasil e diz que taxa de Trump é “intimidação”

Presidente anunciou taxa de 50% contra importações brasileiras a partir de 1º de agosto.

A China saiu em defesa do Brasil nesta sexta-feira (11), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados aos EUA. A medida, que entra em vigor em 1º de agosto, foi classificada como uma forma de “intimidação” pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning.

“A igualdade soberana e a não interferência nos assuntos internos de outros países são princípios importantes da Carta da ONU e normas básicas nas relações internacionais”, afirmou Mao Ning em entrevista coletiva. “As tarifas não devem ser usadas como ferramenta de coerção, intimidação ou interferência nos assuntos internos de outros países”, completou.

Foto: ReproduçãoMao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China.
Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China.

Na quinta-feira (10), Pequim já havia se posicionado contra a medida, afirmando que “guerras comerciais e tarifárias não têm vencedores” e que o “abuso de tarifas não interessa a ninguém”.

Brasil sofre retaliação mais severa entre 22 países

A tarifa imposta ao Brasil é a mais alta entre os 22 países que receberam notificações oficiais de Trump esta semana. O país lidera a lista, com taxa de 50%, seguido por Laos e Myanmar (40%), e Tailândia e Camboja (36%). A menor tarifa anunciada foi de 20% para as Filipinas.

Veja alguns países afetados:

Brasil: 50%

Laos / Myanmar: 40%

Tailândia / Camboja: 36%

Bangladesh / Sérvia: 35%

Indonésia: 32%

África do Sul / Argélia / Iraque: 30%

Japão / Coreia do Sul / Malásia: 25%

Filipinas: 20%

As tarifas se somam a outras já vigentes, como as impostas ao aço e alumínio brasileiros desde abril, além de uma nova tarifa de 50% sobre o cobre, anunciada nesta quinta-feira (10). Com isso, o Brasil passa a ser o país mais atingido pelas políticas comerciais de Trump no momento.

Trump mira Brics e pressiona aliados de Bolsonaro

Desde o início de seu mandato, Trump tem adotado uma postura agressiva na área comercial, mirando sobretudo os países do Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). O presidente norte-americano chegou a afirmar que aplicaria tarifas de até 100% contra nações do bloco que não atendessem aos "interesses comerciais dos EUA".

A recente taxação contra o Brasil também ocorre após Trump demonstrar apoio público ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que é réu em ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de tentativa de golpe de Estado em 2022. Na quarta-feira (9), Trump alegou que o Brasil “não está sendo bom” com os EUA, em declaração que misturou críticas comerciais e posicionamentos políticos.

Escalada preocupa o cenário internacional

A postura de Trump reacende o alerta de uma possível escalada comercial internacional, com impactos diretos sobre cadeias produtivas globais, em especial no setor de commodities e manufaturados.

Para a China, a medida contra o Brasil é um precedente perigoso.

“Nossa posição é muito clara: estamos contra o uso indevido de tarifas como arma política. Devemos preservar as normas do comércio internacional”, reforçou Mao Ning.

Ver todos os comentários   | 0 |

Facebook
 
© 2007-2026 GP1 - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do GP1.