O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), intensificou as articulações em Brasília pela votação do projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e pela recuperação dos direitos políticos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A data coincidiu com o início, no Supremo Tribunal Federal (STF), do julgamento do chamado “núcleo 1” dos acusados de participação em uma suposta tentativa de golpe de Estado em 2022.
Nos bastidores, Tarcísio se reuniu com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, e com lideranças partidárias para discutir a inclusão da anistia na pauta da Câmara dos Deputados. A presença do governador é vista como estratégica por aliados, já que o Republicanos é o partido do presidente da Casa, Hugo Motta, responsável por decidir quando o projeto será votado. Durante reunião de líderes, Motta afirmou que o tema “precisa ser enfrentado”, mas não indicou uma data para a deliberação.
A movimentação ganhou força após o anúncio de que PP e União Brasil deixarão a base de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo os presidentes das legendas, Ciro Nogueira (PP) e Antônio Rueda (União), os ministros Celso Sabino (Turismo) e André Fufuca (Esporte) devem entregar os cargos no prazo de 30 dias. Com a saída, a federação União Progressista, que reúne as duas siglas e conta com 109 deputados, deve reforçar o apoio à oposição na pressão pela votação da anistia.
No Senado, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-PA), ainda pode adiar a tramitação da proposta, mas parlamentares afirmam ter votos suficientes para aprová-la. Segundo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), um novo texto para uma anistia “ampla, geral e irrestrita” está em negociação e deve ser apresentado nas próximas semanas. Deputados da oposição esperam que o projeto seja colocado em votação logo após a conclusão do julgamento no STF.
Além das articulações pela anistia, lideranças de partidos de centro e direita discutem a formação de uma frente política para as eleições de 2026. O nome de Tarcísio de Freitas surge como possível candidato à Presidência em um eventual cenário sem Bolsonaro, que está inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Presidentes de partidos como PL e PSD avaliam alianças que podem incluir o governador de São Paulo, enquanto Tarcísio mantém publicamente a posição de disputar a reeleição no estado.
Caroline Vitorino
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