O Departamento de Combate à Corrupção (DECCOR) da Polícia Civil do Piauí instaurou um novo inquérito policial para investigar quatro empresas no bojo da Operação Gabinete de Ouro, que apura a existência de um suposto esquema denominado “rachadinha”, na Prefeitura de Teresina, em que parte dos salários de servidores ou terceirizados era desviada, além de notas fiscais frias, e criação de empresas de fachada e movimentações financeiras atípicas.
A instauração do inquérito é um desdobramento das investigações da primeira fase da operação, que resultou na apreensão de vários documentos que ensejaram o novo procedimento. Para a Polícia Civil, quatro novas empresas foram identificadas com relações diretas com alvos já investigados, que envolvem transações financeiras ainda não esclarecidas até o momento.
A informação trazida nesta terça-feira (23), já havia sido evidenciada pela Coluna em 17 de outubro de 2025, Com base nos novos elementos revelados, a DECCOR alcançou outros nomes que não estavam inicialmente no radar da operação, apontando possíveis colaboradores e beneficiários das supostas irregularidades.
Entenda como funcionava o esquema descoberto na Operação Gabinete de Ouro
As investigações apontam que Sol Pessoa comandava toda a operação, controlando contratações, pagamentos e a distribuição dos lucros, além de exercer forte influência política sobre indicações de cargos ligados a terceirizados e prestadores de serviço na gestão do ex-prefeito Dr. Pessoa. Entre 2020 e 2024, ela declarou renda de R$ 415 mil, mas recebeu mais de R$ 1,2 milhão em suas contas, provenientes de transferências de terceiros e empresas sem atividade econômica real.
Marcus Almeida de Moura, dono da MM Transportes e Turismo LTDA, atuava como operador financeiro do grupo, criando empresas de fachada, emitindo notas fiscais falsas e movimentando grandes quantias para ocultar a origem ilícita. Apesar de declarar faturamento zero em 2022 e 2023, movimentou mais de R$ 5 milhões.
Rafael Thiago Teixeira Ferreira, servidor público com três vínculos, movimentou R$ 4,3 milhões entre 2020 e 2024, realizando pagamentos pessoais de Sol Pessoa e repasses para empresas e construtoras usadas pelo grupo. Mauro José de Sousa atuava nos bastidores, realizando depósitos em espécie e garantindo que os recursos chegassem aos destinos finais sem levantar suspeitas.
O esquema operava principalmente por meio de “rachadinhas”, propinas e fraudes em contratos, utilizando empresas fantasmas e notas fiscais falsas. O dinheiro era lavado por meio de transferências, fracionamento de valores e reintegração a despesas pessoais, obras e investimentos empresariais, com a construtora PAVCON como um dos principais canais para escoar recursos ilícitos.
Rapidinhas
PF avança inquérito que tem alvo da Gabinete de Ouro em esquema de propina na SEMEC
O ex-servidor da Prefeitura de Teresina, Marcus Almeida de Moura, preso em 14 de outubro na Operação Gabinete de Ouro, da Polícia Civil do Piauí, é considerado pela Polícia Federal o principal articulador do esquema de pagamento de propina envolvendo servidores terceirizados na Secretaria Municipal de Educação do Município de Teresina, investigado na Operação Mãos Limpas, deflagrada no dia 26 de novembro de 2025.
As investigações da Polícia Federal, que começaram em 2023, avançaram no que diz respeito à constatação de irregularidades em contratos de terceirização de mão de obra da Secretaria Municipal de Educação (SEMEC), referentes aos certames de 2019 e 2022, ambos ainda em execução.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
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