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Justiça Federal condena União a pagar R$ 100 mil à ex-esposa de petista morto em Foz do Iguaçu

O crime foi cometido por Jorge Guaranho, então policial penal federal e apoiador de Bolsonaro.

O juiz federal substituto João Rômulo da Silva Brandão, da 2ª Vara Federal de Foz do Iguaçu, condenou a União ao pagamento de R$ 100 mil por danos morais à assistente social Alexandra Moizes Miranda de Arruda, ex-esposa de Marcelo Aloizio de Arruda. Marcelo, guarda municipal e tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), foi assassinado em 10 de julho de 2022 durante a festa de seu 50º aniversário, com tema do partido e do presidente Lula, em Foz do Iguaçu (PR). O crime foi cometido por Jorge Guaranho, então policial penal federal e apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Segundo os autos, após uma discussão, Guaranho disparou diversas vezes contra Marcelo, que reagiu com tiros. A sentença reconheceu a responsabilidade objetiva da União, com base em entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo o qual o Estado pode ser responsabilizado quando o agente público utiliza recursos da corporação, mesmo fora do horário de serviço. No caso, Guaranho estava armado com uma arma da instituição federal.

Foto: Divulgação/Assistência de AcusaçãoJustiça Federal condena União a pagar R$ 100 mil à ex-esposa de petista morto em Foz do Iguaçu
Justiça Federal condena União a pagar R$ 100 mil à ex-esposa de petista morto em Foz do Iguaçu

Alexandra foi casada com Marcelo por mais de 25 anos e teve dois filhos com ele. Embora separados na época do crime, o juiz destacou que havia vínculos afetivos e financeiros entre eles, justificando o direito à indenização. Ela havia solicitado 500 salários mínimos (cerca de R$ 706 mil), mas o valor foi fixado em R$ 100 mil, acrescido de correção monetária e juros pela taxa Selic, com base nos princípios da razoabilidade e proporcionalidade.

“Essa indenização não apaga o que aconteceu, mas é o reconhecimento por tudo que vivemos”, afirmou Alexandra em nota à imprensa. “A palavra que resume é gratidão”, completou.

A União também foi condenada ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios, fixados em 10% do valor da condenação. O Ministério Público Federal foi excluído do polo passivo da ação.

A companheira de Marcelo na época do crime e os quatro filhos já haviam firmado acordo com a Advocacia-Geral da União (AGU), recebendo R$ 1,7 milhão, dividido proporcionalmente entre eles. Os menores foram indenizados por danos morais e materiais, enquanto o filho mais velho e a viúva receberam compensação por dano moral.

Jorge Guaranho foi condenado em fevereiro deste ano a 20 anos de prisão por homicídio duplamente qualificado – por motivo torpe e por colocar outras pessoas em risco – e cumpre pena no Complexo Médico-Penal, em Curitiba. A defesa tenta obter a transferência para prisão domiciliar. O ex-policial possui sequelas físicas e neurológicas devido aos tiros disparados por Marcelo e agressões sofridas na festa. O Ministério Público recorreu pedindo aumento da pena, enquanto a defesa busca redução; os recursos aguardam julgamento.

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