A Mastercard, empresa americana, bloqueou um cartão de crédito do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em razão das sanções da Lei Magnitsky impostas ao magistrado pelo Governo dos Estados Unidos. Para contornar a situação no Brasil, o Banco do Brasil ofereceu ao ministro um cartão da bandeira Elo, de emissão nacional, segundo informações confirmadas pela Coluna do Estadão com fontes do setor financeiro e do Judiciário.
O cartão Elo permite que Moraes realize transações dentro do território brasileiro. Entretanto, ele continuaria impossibilitado de usar o cartão no exterior, já que fora do país o serviço é operado em parceria com a Discover, empresa americana.
Procurado, o Banco do Brasil não comentou o caso, citando a legislação brasileira que garante sigilo bancário e impede a divulgação de informações sobre clientes.
Durante evento sobre governança, nesta quarta-feira (20), a presidente do BB, Tarciana Medeiros, reforçou que o banco cumpre a legislação brasileira e regulamentações globais em mais de 20 países onde atua. Ela destacou ainda a solidez da instituição: “É muita falta de responsabilidade quando algum brasileiro vem colocar em xeque a solidez, a segurança e a integridade de uma empresa como o Banco do Brasil. Que a gente não acredite em fake news, que não propague mentiras e que combata essas informações falsas, como servidores públicos que somos”, afirmou.
A situação ganhou complexidade após uma decisão do ministro Flávio Dino que, na prática, permite a Moraes recorrer ao próprio STF contra as punições aplicadas pelo governo de Donald Trump. O episódio gerou dúvidas nos bancos brasileiros sobre como conduzir o relacionamento com o ministro.
Um representante do setor bancário classificou o caso como “inédito, complexo, sensível e insolúvel”, destacando que as relações bancárias são globais, interligadas e regidas por contratos internacionais.
Rauena Pinheiro
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