O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli decidiu manter a relatoria do inquérito que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, apesar do aumento das pressões internas e externas para que se afastasse do caso. A avaliação do magistrado é de que não há fundamentos legais que justifiquem sua saída, uma vez que, segundo seu entendimento, não se enquadra nas hipóteses de impedimento ou suspeição previstas na legislação. As informações foram divulgadas pelo Folha de S.Paulo na segunda-feira (19).
Toffoli também considera que um eventual afastamento teria impacto direto sobre o andamento da investigação, com risco de invalidação de decisões já tomadas, incluindo depoimentos, acareações e medidas de busca e apreensão. Para o ministro, a substituição da relatoria significaria reiniciar o processo, o que comprometeria a eficácia das apurações em curso.
A condução do inquérito, no entanto, tem gerado desconforto em diferentes órgãos. Integrantes da Polícia Federal, do Banco Central e da Procuradoria-Geral da República apontam decisões consideradas atípicas, como o grau elevado de sigilo imposto ao caso, mudanças sucessivas sobre a guarda das provas e divergências quanto à escolha dos peritos responsáveis pelas análises técnicas do material apreendido.
Nos bastidores do STF, o tema é tratado com cautela. A permanência de Toffoli segue sendo motivo de desgaste interno, alimentado por questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse envolvendo pessoas próximas ao controlador do banco investigado. Apesar disso, até o momento, não houve manifestação pública da Corte indicando qualquer alteração formal na relatoria do caso.
Caroline Vitorino
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