Minutos depois de o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, anular a quebra de sigilos do fundo de investimentos Arleen, o relator da CPI do Crime Organizado no Senado, Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que o magistrado age para proteger o colega da Suprema Corte, Dias Toffoli.
“O ministro Gilmar Mendes, usando o mesmo processo que ressuscitou para sequestrar uma relatoria e firmar um muro de proteção para o colega ministro Toffoli, agora anulou a quebra do sigilo do fundo Arleen, operado pela organização criminosa (Banco Master) para fazer pagamentos a terceiros”, declarou o senador.
A declaração faz menção à investigação que apura suspeito de envolvimento de Toffoli com fraudes financeiras cometidas pelo Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central (BC). O fundo de investimentos Arleen tem como proprietário o pastor Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e negociou cotas acionárias de um resort de luxo no interior do Paraná, que foi propriedade dos irmãos de Toffoli.
O próprio ministro confirmou ter sido sócio dos irmãos, mas negou envolvimento direto com o empreendimento. Com a determinação de Gilmar Mendes, o requerimento que daria acesso a dados sigilosos envolvendo a negociação do Arleen e as ações do resort foi anulado.
Segundo apurado pela imprensa, José Eugênio e José Carlos Dias Toffoli, irmãos do ministro, possuíam cotas do resort Tayayá, situado em Ribeirão Claro, interior do Paraná. No entanto, Dias Toffoli era tratado como o verdadeiro proprietário do estabelecimento.
A empresa Maridt, que pertence à família, teria negociado participação societária com o fundo Arleen, ligado ao Banco Master, em 2021, e a alienação do restante à PHD Holding em fevereiro de 2025.
Carolina Matta
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