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Pesquisa Datafolha: 55% dos brasileiros vê possível envolvimento de ministros do STF em caso Banco Master

Pesquisa indica desconfiança sobre Corte e percepção de excesso de poder entre ministros.

Uma nova pesquisa do Datafolha revela que 55% dos brasileiros acreditam que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) podem ter ligação com o caso do Banco Master. O levantamento foi divulgado nesta segunda-feira (13) pelo jornal Folha de S. Paulo. De acordo com os dados, cerca de 70% dos entrevistados afirmaram ter conhecimento das suspeitas envolvendo integrantes da Corte. Dentro desse grupo, 4% não veem participação de ministros no caso, enquanto 10% disseram não saber avaliar se há envolvimento.

Outros 30% declararam não ter ouvido falar sobre o episódio. O instituto ressalta que os percentuais podem não somar exatamente 100% devido a arredondamentos. O STF enfrenta um momento de tensão institucional em meio às investigações relacionadas ao banco ligado a Daniel Vorcaro. O ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do inquérito após a Polícia Federal identificar menções a ele no celular de Vorcaro. Já o escritório da família do ministro Alexandre de Moraes firmou um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master, com duração de três anos.

Foto: Antonio Augusto/STFMinistros do Supremo Tribunal Federal (STF)
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF)

Tanto Moraes quanto Toffoli negam qualquer irregularidade. Ainda assim, o cenário levou o presidente da Corte, Edson Fachin, a anunciar a criação de um Código de Ética para orientar a conduta dos ministros. Com a saída de Toffoli, o ministro André Mendonça passou a conduzir o caso. Vorcaro segue preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, e prepara uma proposta de delação premiada.

A pesquisa também elaborou um “índice de avaliação”, calculado a partir da diferença entre as avaliações “ótimo/bom” e “ruim/péssimo” entre os entrevistados que dizem conhecer cada ministro.

Nesse ranking, Mendonça aparece com o melhor desempenho, alcançando índice 26, com 39% de avaliações positivas contra 13% negativas. A ministra Cármen Lúcia surge na sequência, com índice 17 e a maior aprovação individual (42% de “ótimo/bom”). O ministro Luiz Fux também registra saldo positivo, com índice 7.

Apesar de ser o mais conhecido entre os integrantes da Corte, Alexandre de Moraes apresenta índice negativo de -8, com 41% de avaliações “ruim/péssimo” frente a 33% de “ótimo/bom”.

Já Dias Toffoli tem o pior resultado (-16), com 35% de reprovação. O decano Gilmar Mendes aparece com índice de -12. Os ministros Cristiano Zanin, Nunes Marques e Flávio Dino registraram índice de -4.

O presidente do STF, Edson Fachin, tem índice neutro, com 24% de aprovação e 24% de reprovação. A margem de erro varia conforme o ministro analisado, sendo de 2 pontos percentuais para Moraes; 3 pontos para Cármen Lúcia, Gilmar Mendes, Fachin, Toffoli, Dino e Fux; e 4 pontos para Mendonça, Zanin e Nunes Marques.

O levantamento aponta ainda que 75% dos brasileiros consideram que os ministros do STF possuem poder excessivo. Por outro lado, 71% avaliam a Corte como “essencial para proteger a democracia”.

Entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 84% veem o STF como fundamental para a democracia, enquanto 64% reconhecem excesso de poder. Já entre os eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro, 60% consideram o STF essencial, e 88% avaliam que há poder em excesso.

Além disso, 75% dos entrevistados afirmaram que a confiança na Corte diminuiu nos últimos anos. Como é a primeira vez que o Datafolha aplica essas questões, não há base histórica para comparação.

A pesquisa foi realizada presencialmente entre os dias 7 e 9 de abril de 2026, com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 137 municípios do país. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03770/2026, com margem de erro geral de dois pontos percentuais.

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