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Teresina - Piauí

População de Teresina fica sem ônibus pelo terceiro dia consecutivo

A Strans informou ontem que encaminhou pedido para que a Procuradoria Municipal consiga na Justiça a garantia da quantidade mínima de ônibus nas ruas.

A paralisação dos motoristas e cobradores do transporte público de Teresina entrou no terceiro dia nesta quarta-feira (27), diante do impasse envolvendo o pagamento do ticket alimentação, uma das pautas que motivaram os trabalhadores a cruzarem os braços na última segunda-feira (25).

Como forma de resolver a situação, o prefeito Dr. Pessoa (MDB) recebeu a categoria no final da manhã do dia 25 e se reuniu com quatro representantes dos trabalhadores, além da presidência do Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (Setut), onde ficou acertado que a Prefeitura de Teresina faria um repasse a patronal no valor de R$ 600 mil, a fim de atender aos motoristas e cobradores sob a condição de que eles retornassem às atividades, fato que não ocorreu nessa segunda e a paralisação vem se arrastando.

Foto: Brunno Suênio/GP1Frota de ônibus é mínima durante greve em Teresina
Frota de ônibus é mínima em Teresina

Em entrevista ao GP1, o secretário de finanças do município, Robert Rios, informou que havia feito o repasse do dinheiro ainda nessa segunda, mas ressaltou que o valor seria estornado, porque a categoria não cumpriu o acordo e manteve a paralisação. “O repasse foi feito e eles continuaram em greve, eu vou pedir o estorno do dinheiro, a devolução, como eles continuaram na greve estou pedindo o estorno”, afirmou.

Procuradoria do município vai acionar a Justiça

O superintendente da Strans, major Claudio Pessoa, informou durante entrevista ao GP1, nesta terça-feira (26), que encaminhou pedido para que a Procuradoria Municipal consiga, através da Justiça, garantir a manutenção da quantidade mínima de ônibus circulando nas ruas.

Segundo o superintendente, o pedido foi encaminhado ainda nesta terça-feira, dia seguinte à transferência de R$ 600 mil feita pela Prefeitura de Teresina ao Setut, a fim de que os trabalhadores recebessem os valores referentes ao ticket alimentação, tão logo retornassem aos seus postos de trabalho, o que não ocorreu.

“Nós motivamos a Procuradoria-Geral do Município, solicitando dela as providências devidas acerca da manutenção das garantias e dos direitos fundamentais dos usuários do transporte coletivo urbano de Teresina, pois a competência para propor essa ação é da procuradoria, a Strans apenas motiva, tão somente, com fulcro nos princípios que estão esculpidos no direito social da Constituição Federal e na lei de greve. Então, será uma ação proposta pela Procuradoria com o fim de dar garantia aos usuários sobre a quantidade mínima de ônibus circulando”, explicou Claudio Pessoa.

O que diz a categoria

Um dos representantes dos motoristas, Cândido Pessoa, afirmou ao GP1 que a categoria não vai aceitar retornar às atividades sem que o pagamento dos tickets esteja na conta.

Foto: Alef Leão/GP1Motoristas e cobradores de ônibus paralisam atividades em Teresina
Motoristas e cobradores de ônibus paralisam atividades em Teresina

“Esse argumento é inaceitável, pois o Setut não tem moral. Por qual motivo as regras sempre têm que ser ditadas pelos patrões? Ninguém aceita mais essa tirania do Setut, ou eles repassam o ticket ou os carros vão ficar parados nas garagens”, garantiu.

Strans cadastra transporte alternativo

A Strans informou também que já dispunha de um cadastro com cerca de 80 veículos que serão distribuídos por toda a Capital, enquanto durar a paralisação e que hoje outros 30 novos veículos foram cadastrados para reforçar o atendimento ao usuário.

“Nós continuamos recebendo cadastros para que esses veículos possam ser usados para prestar esse serviço essencial aos teresinenses. Estamos disponibilizando um horário especial com um plantão aguardando”, finalizou Claudio Pessoa.

Entenda o caso

No final de outubro do ano passado, os motoristas e cobradores de ônibus paralisaram as atividades do transporte público de Teresina. No dia 3 de novembro, o então prefeito Firmino Filho apresentou proposta de garantir subsídio durante quatro meses para custear os tickets de alimentação e plano de saúde dos operadores do sistema de transporte público de Teresina.

No dia 5 de novembro, a categoria aceitou a proposta e encerrou a greve que durou 9 dias, com isso o pagamento dos benefícios, como ticket alimentação e plano de saúde dos trabalhadores referente a 4 meses ficaria sob responsabilidade da prefeitura.

Foram feitos os dois primeiros repasses em novembro, dezembro de 2020, mas em janeiro de 2021 o atraso no pagamento gerou um novo desgaste entre os motoristas que resolveram parar outra vez.

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