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Parnaíba - Piauí

Casal acusado de envenenar a própria família em Parnaíba vai a Júri Popular

A decisão foi tomada nesta terça-feira (21) pelo juiz Willmann Izac Ramos Santos.

O casal Francisco de Assis Pereira da Costa e Maria dos Aflitos Silva, acusado de envenenar dez pessoas, entre familiares e vizinhos, em Parnaíba, no litoral do Piauí, será levado a Júri Popular. A decisão foi tomada nesta terça-feira (21) pelo juiz Willmann Izac Ramos Santos, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Parnaíba.

Na decisão, o magistrado destacou que há “prova da materialidade e indícios suficientes de autoria”, o que justifica o envio do caso ao Tribunal do Júri, instância responsável por julgar crimes dolosos contra a vida.

Foto: ReproduçãoMaria dos Aflitos Silva e Francisco de Assis Pereira da Costa
Maria dos Aflitos Silva e Francisco de Assis Pereira da Costa
Francisco e Maria dos Aflitos respondem por 11 crimes, sendo oito homicídios qualificados e três tentativas de homicídio qualificado. Ambos estão presos desde janeiro deste ano. Embora dez pessoas tenham sido envenenadas, o Ministério Público do Piauí (MPPI) considera que uma das vítimas sofreu duas tentativas de homicídio, uma em agosto de 2024 e outra em janeiro de 2025, que elevou o número de acusações.

As vítimas são:

Manoel Leandro da Silva, 18 anos – morto (filho de Maria dos Aflitos e enteado de Francisco);

Francisca Maria da Silva, 32 anos – morta (filha de Maria dos Aflitos e enteada de Francisco);

Ulisses Gabriel da Silva, 8 anos – morto (filho de Francisca Maria);

João Miguel da Silva, 7 anos – morto (filho de Francisca Maria);

Maria Gabriela da Silva, 4 anos – morta (filha de Francisca Maria);

Lauane da Silva, 3 anos – morta (filha de Francisca Maria);

Igno Davi da Silva, 1 ano e 8 meses – morto (filho de Francisca Maria);

Maria Jocilene da Silva, 32 anos – morta (ex-nora de Maria dos Aflitos);

Adolescente de 17 anos – sobreviveu (irmã de Manoel e Francisca Maria);

Menino de 11 anos – sobreviveu (filho de Maria Jocilene).

O caso

O caso veio à tona em agosto de 2024, quando dois irmãos, Ulisses Gabriel, de 8 anos, e João Miguel, de 7, foram internados com suspeita de envenenamento. João morreu dias depois e Ulisses faleceu no mês seguinte. À época, a principal suspeita era uma vizinha, Lucélia Maria, que chegou a ser presa, mas negou envolvimento nos crimes.

Meses depois, em 1º de janeiro de 2025, nove pessoas da mesma família voltaram a ser envenenadas após comerem arroz misturado com terbufós, uma substância tóxica usada em agrotóxicos e semelhante ao “chumbinho”. Cinco delas morreram: dois adultos e três crianças.Entre as vítimas estava novamente Maria Jocilene, ex-nora de Maria dos Aflitos. Ela chegou a receber alta, mas voltou a ser hospitalizada cerca de 20 dias depois, quando morreu.

Durante as investigações, a Polícia Civil do Piauí apontou contradições nas versões apresentadas por Francisco, que também chegou a ser internado, mas foi preso assim que recebeu alta. Pouco tempo depois, Maria dos Aflitos também foi detida, acusada de ter envenenado o café da ex-nora para tentar livrar o marido das suspeitas.

Em março de 2025, o casal foi indiciado por 23 crimes, incluindo as mortes de oito pessoas e as tentativas de assassinato de outras duas. O júri popular ainda não tem data definida, mas deverá ocorrer em Parnaíba.

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