Fechar
GP1

Piauí

TCE-PI nega cautelar contra contratações temporárias na FMS e mantém investigação sobre renovação sucessivas de contratos

A decisão monocrática do Tribunal de Contas mantém, por ora, a validade de vínculos precários na pasta.

O Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) negou, na manhã desta segunda-feira (01), o pedido de medida cautelar que buscava a suspensão imediata de contratações temporárias na Fundação Municipal de Saúde (FMS) de Teresina. A decisão monocrática mantém, por ora, a validade de vínculos precários na pasta, apesar das graves suspeitas levantadas sobre a gestão de pessoal na saúde da capital. A decisão ocorre em um momento de forte pressão sobre a administração municipal para a regularização do quadro de servidores efetivos.

A denúncia, formulada por Débora dos Reis Soares Ferreira, aponta indícios de irregularidades na manutenção de profissionais substitutos, com foco especial na categoria de farmacêuticos. Segundo a peça acusatória, pelo menos 13 profissionais estariam com contratos renovados sucessivamente, ignorando os limites legais para contratações temporárias e preterindo a convocação de candidatos aprovados em concursos públicos. A acusação sustenta que a prática se tornou uma regra na fundação, desvirtuando a natureza excepcional desse tipo de contratação.

Foto: Alef Leão/GP1Prefeito Sílvio Mendes
Prefeito Sílvio Mendes

O cerne da investigação gira em torno da suposta "eternização" de contratos que deveriam ser transitórios. Para a denunciante, a FMS utiliza o mecanismo de substituição como uma forma de burlar a obrigatoriedade do concurso público, o que configuraria desvio de finalidade e prejuízo à moralidade administrativa. Além do aspecto legal, o caso levanta questionamentos sobre a estabilidade do quadro técnico em áreas sensíveis, onde a rotatividade excessiva ou a insegurança jurídica dos vínculos podem comprometer a qualidade da assistência farmacêutica prestada à população.

Ao analisar o pedido de urgência, a relatora do caso, conselheira Waltânia Alvarenga, optou pela denegação da cautelar, fundamentando que a suspensão abrupta dos contratos poderia acarretar um risco ainda maior à continuidade dos serviços essenciais de saúde. A conselheira ponderou que, embora os indícios de irregularidade mereçam apuração rigorosa, a interrupção imediata das atividades exercidas por esses profissionais poderia desassistir as unidades de saúde em um momento crítico. Prevaleceu, neste estágio, o princípio da continuidade do serviço público sobre a necessidade de correção imediata da falha administrativa.

Apesar da negativa da liminar, o processo segue em tramitação regular no TCE-PI para a análise do mérito. A Corte de Contas determinou a notificação dos gestores da FMS e da Prefeitura de Teresina para que apresentem justificativas detalhadas sobre a necessidade das renovações e a ausência de substituição por servidores concursados. A auditoria técnica do tribunal deve agora aprofundar a fiscalização sobre a folha de pagamento, buscando identificar se há um padrão de preterição de concursados em favor de indicações políticas ou conveniências temporárias.

A decisão final do TCE-PI poderá estabelecer um precedente importante sobre os limites das contratações temporárias na prefeitura de Teresina, especialmente em setores onde a demanda é permanente e previsível.

Outro lado

Procurada pelo GP1, a Fundação Municipal de Saúde afirmou, em nota, que a atual gestão não realizou contratações de servidores com vínculos precários e destacou que já convocou 1.362 profissionais aprovados no último concurso público, número que classificou como a maior contratação da história da instituição. A fundação informou ainda que está promovendo uma reorganização do quadro funcional com foco em eficiência administrativa, planejamento estratégico e responsabilidade fiscal, além de anunciar que outras duas convocações de concursados ainda estão previstas. Segundo a FMS, as medidas buscam atender às necessidades da rede municipal de saúde e garantir melhorias na assistência prestada à população. O prefeito Sílvio Mendes não se manifestou.

Confira a nota na íntegra

A Fundação Municipal de Saúde (FMS) informa que, durante esta nova gestão, não houve contratação de servidores com vínculos precários e já foram convocados 1.362 profissionais do último concurso, a maior contratação da história da instituição.

A FMS está atualmente conduzindo processo de reorganização do quadro funcional, visando eficiência, racionalidade financeira e planejamento estratégico para futuras contratações, alinhadas às reais necessidades da rede e à responsabilidade fiscal na gestão pública. Ressalta-se, ainda, que estão previstas mais duas convocações de profissionais, reforçando o compromisso da instituição com a valorização do serviço público e a melhoria contínua da assistência prestada à população.

Ver todos os comentários   | 0 |

Facebook
 
© 2007-2026 GP1 - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do GP1.