A solicitação de asilo político por parte do ex-presidente Jair Bolsonaro não foi recebida pela Argentina, de acordo com o governo. A CNN Brasil, que apurou as informações, consultou fontes ligadas à Casa Rosada. Não houve registro nem tramitação de pedido de asilo feito por Bolsonaro junto ao governo argentino.
Nessa quarta-feira (20), Bolsonaro e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, foram indiciados pela Polícia Federal por obstrução de Justiça. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o ex-presidente se manifeste sobre o descumprimento de medidas cautelares, o que incluiria o envio de um pedido de asilo à Argentina.
No celular de Bolsonaro, os agentes da Polícia Federal encontraram um arquivo – presente no aparelho desde fevereiro de 2024 – contendo um pedido de asilo ao governo argentino. De acordo com a análise de metadados, o documento foi criado no ano anterior (2023), durante a posse de Javier Milei.
Localizado no celular do ex-presidente, o texto, escrito em primeira pessoa e sem assinatura, apresenta Bolsonaro afirmando ser alvo de perseguição política no Brasil. O pedido de asilo justificaria-se pelo receio com sua segurança e pelo alegado risco iminente de prisão.
A carta
“Eu, Jair Messias Bolsonaro, solicito à Vossa Excelência [Milei] asilo político na República da Argentina, em regime de urgência, por eu me encontrar na situação de perseguido político, uma vez que não possuo hoje a proteção necessária que se deve dar a um ex-chefe de Estado, bem como por estar na iminência de ter minha prisão decretada, de forma injusta, ilegal, arbitrária e inconstitucional pelas próprias autoridades públicas que promovem a perseguição contra mim, diretamente da mais alta Corte do Poder Judiciário brasileiro, e por preencher todos os requisitos legais, conforme exaustivamente demonstrado ao longo desse requerimento”, diz a carta.
O documento, de acordo com a PF, teria sido escrito pela nora de Bolsonaro e foi salvo em seu aparelho no dia 10 de fevereiro de 2024.
Apesar do texto ser um arquivo único e editável, sem data ou assinatura, a PF acredita que “seu teor revela que o réu, desde a deflagração da operação Tempus Veritatis, planejou atos para fugir do país, com o objetivo de impedir a aplicação de lei penal”.
Alice Gabrielly
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