As SAFs (Sociedades Anônimas do Futebol) tomaram conta do futebol brasileiro. O que parecia ser uma aposta arriscada há alguns anos, hoje é praticamente o novo normal entre os clubes — seja para escapar da falência, seja para atrair investimentos ou profissionalizar a gestão.
Em 2025, o Brasil já contabiliza nada menos que 95 clubes no modelo SAF, espalhados por 21 das 27 unidades federativas do país. É isso mesmo: o mapa do futebol brasileiro está ganhando uma nova cara — e um novo CNPJ também.
O que é uma SAF e por que virou tendência?
Antes de mais nada, vale recapitular: a SAF é uma estrutura jurídica criada pela Lei 14.193/21, que permite que clubes de futebol se tornem empresas com CNPJ próprio, separando o patrimônio do clube social do da nova empresa. Isso dá segurança jurídica e atratividade para investidores, além de facilitar renegociações de dívidas e a adoção de boas práticas de gestão.
Mas atenção: virar SAF não é mágica. Não basta mudar o nome na placa da sede ou criar uma logo nova. O clube precisa estar minimamente estruturado, com processos internos organizados, uma base de sócios ativa e — claro — um planejamento realista para atrair aportes financeiros.
95 SAFs: onde elas estão?
Segundo levantamento recente do advogado e professor Rodrigo Monteiro de Castro, um dos autores da Lei da SAF, hoje já são 95 clubes nesse formato. O estudo considerou apenas SAFs formalmente registradas e ativas até 22 de julho de 2025, com o nome “SAF” constando na razão social da empresa.
O estado com mais adesões? São Paulo, com 21 clubes. E não é surpresa, considerando a força econômica e a tradição esportiva do estado. Na sequência vêm Paraná, Minas Gerais e Santa Catarina.
| Estados | Clubes |
|---|---|
| Acre | 1 |
| Amazonas | 1 |
| Bahia | 7 |
| Ceará | 3 |
| Distrito Federal | 4 |
| Espírito Santo | 2 |
| Goiás | 5 |
| Mato Grosso | 2 |
| Mato Grosso do Sul | 2 |
| Minas Gerais | 11 |
| São Paulo | 21 |
| Pernambuco | 1 |
| Pará | 1 |
| Paraná | 15 |
| Paraíba | 1 |
| Rio de Janeiro | 6 |
| Rio Grande do Norte | 4 |
| Rio Grande do Sul | 1 |
| Roraima | 1 |
| Santa Catarina | 5 |
| Sergipe | 1 |
| Alagoas | 0 |
| Amapá | 0 |
| Maranhão | 0 |
| Piauí | 0 |
| Rondônia | 0 |
| Tocantins | 0 |
| Fonte: Migalhas | |
Mas a tendência já chegou em praticamente todas as regiões do país. Dos 27 estados (incluindo o Distrito Federal), apenas seis ainda não têm clubes SAF: Amapá, Maranhão, Pará, Piauí, Rondônia e Tocantins. E olha que, no caso do Piauí, já existem movimentos internos para mudanças nos próximos anos.
Casos de sucesso (e outros nem tanto...)
Entre os exemplos positivos, o Botafogo virou o símbolo da transformação. Campeão da Libertadores e do Brasileirão, o clube carioca deu uma guinada histórica após sua conversão para SAF, atraindo investimento estrangeiro e reestruturando toda sua operação.
Outros gigantes também embarcaram na onda: Cruzeiro, Atlético-MG, Vasco, entre outros. Mas nem tudo são flores. O caso do Vasco, por exemplo, mostra que o modelo também traz riscos.
Em 2022, o clube vendeu 70% das ações de sua SAF para a empresa norte-americana 777 Partners, na tentativa de sanear as dívidas e profissionalizar a gestão. Só que a relação azedou: acusações de má gestão, disputas judiciais e, agora, a busca por um novo investidor. Ou seja: SAF não é solução garantida. É uma ferramenta — e como toda ferramenta, depende de quem usa.
Por que alguns clubes ainda não são SAF?
Se os benefícios parecem claros, por que alguns clubes ainda resistem? Simples: aderir à SAF exige transparência, governança e preparação. Muitos clubes ainda têm estruturas arcaicas, resistem à ideia de abrir o capital ou simplesmente não têm uma gestão que consiga colocar a casa em ordem para atrair interessados.
Além disso, o processo de transformação pode ser caro e burocrático. Envolve avaliação de passivos, negociações com credores, mudanças estatutárias e outras etapas jurídicas. Sem falar na resistência interna — de torcedores, conselheiros e até dirigentes — que enxergam na SAF uma ameaça à identidade do clube.
Vale a pena virar SAF?
Depende. Para clubes com dívidas impagáveis, falta de estrutura e má gestão, a SAF pode ser um sopro de esperança. Mas só se vier acompanhada de profissionalização, transparência e metas claras. Caso contrário, vira só uma fachada bonita com os mesmos problemas de sempre escondidos atrás do nome novo.
Por outro lado, clubes menores também estão vendo nas SAFs uma oportunidade de crescer. Com estrutura enxuta, boa gestão e planejamento, é possível atrair investidores de olho em projetos de longo prazo — seja para revelar atletas, seja para disputar campeonatos de maior visibilidade.
O que esperar do futuro?
A tendência é clara: o número de SAFs vai continuar crescendo. O modelo já se provou viável e, com o tempo, deve atrair novos perfis de investidores — de fundos estrangeiros a grupos locais, passando por ex-atletas e empresários apaixonados por futebol.
Mas é preciso cautela. Transformar um clube em empresa exige responsabilidade. E o torcedor? Esse, como sempre, quer ver a bola rolando, o time ganhando e o escudo honrado — seja em associação, seja em SAF.
Resumo do artigo:
- Já são 95 clubes SAF no Brasil, em 21 estados.
- São Paulo lidera com 29 clubes nesse formato.
- Botafogo é considerado o maior caso de sucesso.
- Vasco enfrenta desafios com a 777 Partners.
- SAFs não são soluções mágicas: exigem estrutura e gestão profissional.
- O modelo tende a crescer, mas ainda enfrenta resistências em alguns estados.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
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