A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, nesta quarta-feira (3), durante julgamento na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que o ex-mandatário não convocou nem influenciou os atos de 8 de janeiro de 2023, mas teria sido “dragado” para a mobilização.
O advogado Celso Vilardi sustentou que Bolsonaro nunca atentou contra o Estado Democrático de Direito. “Na verdade, foi encontrada uma minuta do chamado plano ‘Punhal Verde e Amarelo’, mas, como todos sabemos, ocorreu o trágico episódio de 8 de janeiro. O presidente, a quem represento, foi dragado para esses fatos”, afirmou.
Durante a sustentação oral, Vilardi afirmou ainda que a delação de Mauro Cid à Polícia Federal (PF) representa “uma sucessão inacreditável de fatos” e que não existe “uma única prova que atrele o presidente ao Punhal Verde e Amarelo”.
Por fim, a defesa ressaltou que houve apenas atos preparatórios, e não a execução dos crimes imputados pela Procuradoria-Geral da República (PGR). “Há uma cogitação de pena superior a 30 anos para um fato específico, envolvendo ministro de Estado, chefes das Forças Armadas e o presidente da República, sem nenhum ato concreto. O próprio general, em acareação, disse claramente: ‘Tivemos aquela conversa e, depois dela, o presidente nunca mais tocou no assunto. O tema foi encerrado’. Transformar esse episódio em 30 anos de prisão não é razoável”, concluiu o advogado.
Maria Luísa Veloso
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