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Banco Central sabia sobre ativos podres negociados pelo Master desde março de 2025, diz Metrópoles

O diretor também afirmou que o BC acompanhou a tentativa de correção das irregularidades.

Em depoimento à Polícia Federal, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou que a autoridade monetária já sabia desde março de 2025, que as carteiras de crédito a serem vendidas pelo Master ao Banco de Brasília (BRB), por R$ 12,2 bilhões, apresentavam inconsistências e não possuíam caráter real.

Apesar disso, a liquidação extrajudicial do Master só ocorreu quase oito meses depois, em 18 de novembro de 2025. Foi neste dia que a PF deflagrou a Operação Compliance Zero. Aquino prestou depoimento no final do mês passado, em dezembro, mas não é investigado na operação. As informações apresentadas foram reveladas pelo portal Metrópoles, que acessou os depoimentos. O caso tramita em sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF).

Foto: Marcelo Casal Jr./Agência BrasilBanco Central
Banco Central

As investigações apontam Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, como comprador de R$ 6,7 bilhões em ativos podres da Tirreno que, em seguida, teriam sido vendidos por R$ 12,2 bilhões ao Banco de Brasília (BRB). A Polícia Federal afirmou ainda que a Tirreno nunca movimentou recursos financeiros e que o Master nunca realizou repasse efetivo de valores referentes a esses ativos antes de repassá-los ao banco público.

Nas oitivas, Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmaram que o Banco Central acompanhou, à época, toda a negociação para a compra do Master pelo BRB. Questionado sobre a veracidade do relato, Ailton de Aquino confirmou que o BC passou a monitorar de perto as operações após identificar problemas.

O diretor também afirmou que o Banco Central acompanhou a tentativa de correção das irregularidades. Depois que o BRB constatou que parte dos créditos adquiridos era inexistente ou irregular, o banco público informou ao BC, em 18 de junho de 2025, que iniciaria um processo de diligência para “internalizar ativos”, ou seja, buscar dentro do balanço do próprio Master ativos que pudessem compensar a carteira problemática.

“No dia 18 de junho de 2025, um ofício direcionado a mim informa que [o BRB] iniciou um processo de diligência para internalizar os ativos, ou seja, passou a buscar ativos dentro do balanço do Master diante do problema”, afirmou o diretor à Polícia Federal.

Além do foco no Banco Central, a investigação também identificou um nome que aparece com frequência nos depoimentos de Vorcaro: o do empresário Henrique Peretto, apontado pelo próprio banqueiro como responsável por apresentar ao Master o negócio das carteiras da Tirreno.

Mesmo tendo sido preso preventivamente na primeira fase da Operação Compliance Zero, Peretto foi solto dias depois e ainda aguarda novas oitivas no inquérito, que buscam esclarecer sua real participação na estruturação das operações.

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