Samir de Araújo Xaud, 41 anos, foi eleito neste domingo (25) presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para o mandato de 2025 a 2029, após obter 101 dos 143 votos possíveis em eleição realizada na sede da entidade, no Rio de Janeiro. O médico infectologista e dirigente do futebol de Roraima foi o único inscrito na disputa, contando com apoio de 25 federações e 10 clubes, o que inviabilizou o lançamento de outra candidatura.
Segundo o estatuto da CBF, a inscrição de uma chapa exige o apoio mínimo de oito federações estaduais, requisito que apenas São Paulo e Mato Grosso não atenderam ao bloco de apoio de Xaud. O sistema eleitoral também prevê pesos diferentes aos votos: federações contam com peso 3, clubes da Série A com peso 2 e os da Série B com peso 1. Pela primeira vez, a votação foi realizada por meio de urna eletrônica, conforme informou a entidade.
O modelo de eleição foi criticado por um grupo de 21 clubes, que decidiram não participar do pleito por discordarem das regras e da concentração de poder das federações. Entre os clubes que se abstiveram estão Corinthians, Flamengo, Fluminense, Fortaleza, Internacional, São Paulo e outros, tanto da Série A como da Série B. Em nota conjunta, esses times manifestaram disposição para dialogar com a nova gestão, buscando mudanças no processo eleitoral e outras demandas do futebol brasileiro.
Antes da votação, a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, que apoiou a candidatura de Xaud, afirmou que as propostas do dirigente para a CBF são pautas que o clube paulista defende há muito tempo, como o "fair play" financeiro, melhorias no calendário e avanços na arbitragem. Leila também rebateu críticas à origem de Xaud, dizendo que é preconceituoso alegar que ele não deveria presidir a entidade por ser de uma federação considerada "não muito expressiva", e citou sua própria trajetória no futebol como exemplo de superação de estereótipos.
Samir Xaud, que assumiu recentemente a presidência da Federação Roraimense de Futebol, no lugar do pai, Zeca Xaud, terá o desafio de concluir seu mandato, algo raro na história recente da CBF. Desde a renúncia de Ricardo Teixeira em 2012, a entidade acumula sucessivas trocas de comando, com 11 nomes entre presidentes efetivos, interinos e interventores nos últimos 13 anos. Paralelamente, nesta segunda-feira (26), será apresentado o técnico Carlo Ancelotti, contratado por Ednaldo Rodrigues antes de seu afastamento, com estreia marcada para o dia 5 de junho, contra o Equador, no Monumental de Guayaquil.
Davi Fernandes
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