Parlamentares da oposição ao Governo Lula estão articulando a abertura de uma investigação contra o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ednaldo Rodrigues, por suposto favorecimento por parte do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. A ofensiva política ganhou força após o magistrado reconduzir Ednaldo ao cargo por decisão monocrática, anulando um afastamento anterior determinado pela Justiça do Rio de Janeiro.
A recondução de Ednaldo gerou desconfiança entre senadores e deputados, que apontam um possível conflito de interesses na atuação de Gilmar Mendes. O ministro não se declarou impedido para julgar o caso, apesar de manter uma relação próxima com o dirigente esportivo e ter um contrato de cooperação técnica entre a CBF e o Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) — instituição privada da qual Gilmar é sócio.
Parlamentares querem investigação
A resposta da oposição foi imediata. Três pedidos de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foram protocolados: um na Câmara dos Deputados, outro no Senado Federal, e um terceiro de caráter misto. Os requerimentos estão sendo conduzidos pelo deputado Sargento Gonçalves (PL-RN), pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE) e pelo deputado Coronel Meira (PL-PE).
"Queremos entender os motivos por trás dessa decisão judicial que restituiu Ednaldo no comando da CBF. A ligação entre os dois precisa ser esclarecida", afirmou Eduardo Girão, que já obteve 18 assinaturas das 27 necessárias para protocolar a CPI no Senado.
Na Câmara, são necessárias 171 assinaturas para instalar uma comissão. A mobilização segue em curso, com parlamentares da oposição pressionando para que o caso entre na pauta do Congresso Nacional. Além da atuação de Ednaldo à frente da CBF, os parlamentares querem convocá-lo para prestar depoimento e esclarecer as relações institucionais entre a confederação e o IDP.
Silêncio e histórico de decisões polêmicas
Até o momento, nem Gilmar Mendes nem Ednaldo Rodrigues se pronunciaram sobre as acusações. A decisão do ministro foi tomada dias após a Justiça fluminense determinar o afastamento do dirigente, em meio a um contexto de instabilidade na cúpula do futebol brasileiro.
Indicado ao Supremo Tribunal Federal em 2002 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o ministro Gilmar Mendes tem uma trajetória marcada por decisões que beneficiaram políticos e empresários de destaque. Sua atuação já foi alvo de críticas de juristas e parlamentares, que o acusam de parcialidade em julgamentos de grande repercussão.
Izabella Furtado
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